Atuação

• Coordenador do Serviço de Neurocirurgia e Neurologia do Hospital Unimed BH • Neurocirurgião do Biocor Instituto, Belo Horizonte, MG Membro Titular da Academia Mineira de Medicina • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia • Membro do Congresso of Neurological Surgeons • Mestrado e Doutorado em Cirurgia pela UFMG

Especialidades

• Malformação • Artério Venosa • Aneurisma Cerebral • Cirurgia de Bypass • Revascularização Cerebral • Cirurgia de Carótida • Tumores Cerebrais • Descompressão Neurovascular • Doença de Moya-Moya Tumores da Base do Crânio Doppler Transcraniano

Contato

Alameda da Serra 400 / 404 - Nova Lima - MG (31)3264-9590 • (31) 3264-9387 jrasomd@yahoo.com.br

Inteligência Artificial versus Ignorância Genuína

 


 

A publicação de uma carta pela organização futureoflife.org   pedindo moratória para as pesquisas relacionadas à inteligência artificial (IA) joga por terra um dos mitos relacionados ao assunto: a de que seriam apenas os ignorantes e lunáticos preocupados com o futuro da humanidade com o avanço das aplicações da IA.

A carta é assinada por cientistas, filósofos e empresários, gente de peso como Sam Altman, criador do ChatGpt; Steve Wozniak; um dos fundadores da Apple; o historiador e escritor Yuval Noah Hariri, o cientista da computação da Universidade de Berkley, nos EUA, Yoshua Bengio e o CEO da Tesla e do Twitter, Elon Musk.

 

A preocupação central da organização é com a segurança da humanidade, pois no caminho inverso do desenvolvimento da IA estão os controles de seu uso com objetivos bélicos (drones carregados com mísseis com alvos precisos) e até mesmo o controle da divulgação de notícias falsas, incluindo o risco da propagação de conhecimento sem lastro científico e definição de autoria.

Há outros mitos que precisam ser combatidos. Muitos temem que robôs conscientes irão propagar o mal pelo mundo. Na verdade, IA tem mais a ver com a internet do que com Robôs e precisa estar alinhada com os objetivos de desenvolvimento da humanidade.

Talvez o mito maior seja que a IA venha a controlar dominar o homem, na falsa crença que as máquinas possam vir a ser mais inteligentes. Isso, sim, é um mito.

Parra além dos mitos e riscos, os benefícios da IA são inequívocos. Basta ver sua incipiente incorporação na saúde, tanto no refinamento e precisão de diagnósticos, como na pesquisa científica. Pode-se dizer que a IA irá revolucionar a maneira como praticamos a medicina hoje com benefício real para os pacientes.

Não creio que uma moratória tão curta como a proposta pelos signatários do manifesto seja eficaz para atingir os objetivos. A incorporação da IA pelo homem nem é mais questão de tempo. Ela já está aqui

Tao urgente quanto o rápido desenvolvimento da inteligência artificial é o combate à ignorância genuína dos homens.

 

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Pacto pela não violência

 


Pacto pela não violência

Em outubro de 2022 manifestei minha intenção de voto convocando a neurociência para justifica-la.

O cerne da minha escolha se devia ao fato de que o governo Jair Bolsonaro pregava e praticava constantemente a violência.

Na ocasião escrevi sobre a violência:  “Ela é fruto da agressividade que está presente em todos animais e é essencial para a sobrevivência. A natureza não descarta nada. Temos em nosso cérebro os mesmos mecanismos de agressividade de outros animais. No ser humano a agressividade é expressa por    violência, seja física, verbal ou mesmo a violência da indiferença, expressa pela falta de compaixão e empatia”.

Na evolução do nosso cérebro, áreas mais recentes, notadamente o córtex pré-frontal, vão progressivamente sobrepujando áreas mais antigas, num processo que nos permitiu criar a civilização. Essas mesmas áreas respondem pelo pensamento crítico e suas conexões criam circuitos que resultam em  comportamentos e atitudes essenciais para construir um espaço de convivência em harmonia com nossos pares. Essa evolução cerebral aponta o caminho da sobrevivência da humanidade: dominar a besta que existe dentro de cada um de nós.

Arrematei a crônica de outubro informando que votaria em candidatos que “prezam e lutam pela liberdade, tolerância, compaixão, respeito às instituições e, sobretudo, pela não violência”.

Os acontecimentos desse histórico 8 de janeiro confirmam que eu estava certo. Vestindo verde-amarelo e sob o pretexto de protestar contra os resultados das eleições, bolsonaristas radicais tentaram destruir os símbolos da democracia em Brasília. Não se trata de liberdade de expressão, mas de violência pura e simples.

A reação está em curso. Há em construção um pacto mundial pela democracia que foi visivelmente atacada. As nações civilizadas já aprenderam que a democracia é o melhor modelo de governo e a violência de ontem foi um inequívoca ataque a ela. O repúdio foi imediato.   

Proponho outro pacto, esse, no íntimo de cada cidadão: um pacto pela não violência. Temos evidências de sobra para apostar nessa escolha que, ao dominar o animal que nos habita, nos levará de volta aos trilhos da construção da humanidade.


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Pensamento dogmático ameaça a Liberdade

 


 

A incapacidade de pensar não é estupidez. 

Ela pode ser encontrada em pessoas inteligentíssimas

                                                     Hanna Arendt (1906-1975)

Thinking and moral Considerations

                                                          

 

Em minha publicação de 2 de outubro expliquei como usei a neurofilosofia para minha escolha no segundo turno de nossas eleições. Volto a ela para tentar compreender a reação de familiares queridos, colegas médicos e de tantas pessoas que pletoram as redes sociais com publicações antidemocráticas e ocupam as ruas questionando o resultado das urnas.

Sei de muitas das razões que os levaram a escolher Bolsonaro. Até concordo com algumas delas. Mas sempre que eu questionava sobre os riscos dessa escolha para a democracia recebia críticas ferozes e apaixonadas.

Com a recusa de se admitir a derrota e as manifestações diante dos quartéis pedindo intervenção militar, não há mais como esconder o matiz autoritário e retrógrado desse voto.

Como explicar manifestações a favor de um golpe militar que traria de volta a ditadura? Não conseguem perceber que   livres manifestações amanhã poderão ser amordaçadas?  

Como entender o pensamento de um deputado que recebeu votação expressiva e de outros políticos, quando questionam o método eletrônico das urnas que os elegeram? Será que fraudaram a própria eleição?  

Como pessoas de bem se igualam em voz a quem responde com granadas e tiros de fuzil a uma ordem de prisão? Como parear com um representante do povo que em resposta a um insulto saca uma arma e sai à caça do desafeto? Como pessoas tão inteligentes podem ser tolerantes à exemplos de barbárie?

Hanna Arendt, no mesmo ensaio da epígrafe, atribui a Kant a distinção entre pensamento e conhecimento e nos advertiu: “precisamos da filosofia, o exercício da razão como faculdade do pensamento, para evitarmos o mal”.

A neurociência distingue o pensamento crítico, flexível do pensamento dogmático, cristalizado.

Os questionamentos colocados acima não resistiriam ao pensamento crítico. Entretanto, quando o pensamento dogmático prevalece há uma tendência a se buscar e processar informações que reforcem uma opinião prévia ou a expectativa do sujeito.

Chamo isso de teoria da gaiola, que explica inclusive muitas de nossas crenças. Há um arranjo de circuitos em nosso cérebro que processa as informações de modo a ajustá-las a conceitos familiares e ideias pré-concebidas. Essa forma cristalizada de pensar abre mão de evidências e aceita até notícias falsas, desde que reforcem o circuito engaiolado.

O problema com esse tipo de pensamento é que ele não lida bem com situações incomuns e tem dificuldade de se adaptar a um mundo de constantes mudanças.

No caso em questão, o pensamento enjaulado coloca em risco nossa liberdade. Se por um lado as manifestações pela intervenção militar são exemplos de liberdade de expressão, por outro elas escancaram um paradoxo: hoje sou livre para pedir o golpe, amanhã perco minha liberdade.  

Uma das formas de se combater o pensar dogmático é desprezar o primeiro pensamento, que é rapidamente produzido, pois está contido na gaiola. Pense de novo.  Abra a gaiola e deixe o pensamento sobrevoar sobre outras formas de pensar.

A filosofia é avessa ao pensamento que não questiona.  E como nos lembra Arendt, o pensamento é como o véu de Penélope: ele desfaz pela manhã o que havia sido tecido na noite anterior.

 

 

 

 

 

 

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Armadilhas para um cidadão de bem

 


 

O patriotismo é o último refúgio de um canalha

Samuel Johnson (1709-1784)

 

 

A frase em epígrafe de um dos mais cultuados escritores ingleses, Samuel Johnson, não é crítica ao patriotismo, mas do uso que canalhas fazem dele: explorar esse sentimento como armadilha para angariar interesses espúrios.

Os protestos diante dos quartéis do Exército pedindo a intervenção militar no processo eleitoral brasileiro tem um lado positivo: antes, poderíamos até negar que a escolha de Bolsonaro significaria fazer parte de uma corrente com anseios antidemocráticos. Agora não.

Qualquer cidadão de bem, com mínimo de conhecimento da história, repudia  ditaduras, de qualquer matiz,  

Também é antidemocrático tentar destruir a reputação de nossas Instituições. Todos concordamos que elas não são perfeitas, mas ainda representam um oásis em meio a um deserto de barbárie.

Convoca-se a família como lema de campanha como se não fossem legítimas outras formas de família, para além da tradicional. O que se ensina em uma boa família são princípios de ética, respeito, tolerância e convívio social. E a forma mais eficaz, que alguns consideram até única, é o exemplo. Propagar o ódio e a violência, no discurso e nas ações, está na direção oposta aos ensinamentos que devem ser difundidos dentro de uma verdadeira família.

Ética, respeito e tolerância também se aplicam à religião. Respeitar o Deus de cada um é apenas um primeiro passo. Religião sem ética é fé desvairada, praticada por aqueles que ao longo do caminho esqueceram-se da razão de se caminhar.    Não há nada de religioso em produzir e sistematicamente difundir falsas notícias, atacando a reputação de pessoas e Instituições. Como nos lembra João, versículo 8: 2- "E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará".

Tivemos oportunidade de abandonar a polarização política, cujo único mote é apontar os inúmeros defeitos da extremidade oposta. Infelizmente, nosso sistema democrático nos obrigou a escolher um entre dois representantes desses extremos, que entre inúmeros outros desvios não podem convocar a honestidade como virtude.

Mas o momento dessa disputa já passou. É hora de baixar as armas e devolver nossa bandeira, que afinal pertence a todos nós brasileiros.

Quem sabe possamos juntos, envoltos no manto de um patriotismo verdadeiro, fiscalizar as ações desse novo governo que tem pelo menos um compromisso realizável: manter nossa democracia e nossa liberdade para criticar.

 

 

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Como a neurociência e a filosofia podem nos ajudar na escolha de um candidato?

 

Em momentos conturbados como o que vivemos a junção da neurociência com a filosofia pode nos guiar em nossas escolhas.

Pensemos na violência, por exemplo. Ela é fruto da agressividade que está presente em todos animais e é essencial para a sobrevivência. A natureza não descarta nada. Temos em nosso cérebro os mesmos mecanismos de agressividade de outros animais. No ser humano a agressividade é expressa por    violência, seja física, verbal ou mesmo a violência da indiferença, expressa pela falta de compaixão e empatia.

De onde viemos? Para onde vamos? Nos pergunta a filosofia.

Viemos dessa matriz animal e vamos para o que chamamos de humanidade.

O ser humano está em contínua construção. O processo civilizatório vai sofisticando e “domesticando” os mecanismos da agressividade, o que nos permite controlá-los. Nessa caminhada, vamos substituindo atitudes selvagens por valores como empatia, compaixão, tolerância, que nos permite viver em comunidade.

A política faz parte do processo civilizatório ao criar e manter instituições sólidas, para garantir nossa liberdade e nossos direitos.   

Como são construções humanas, é natural que sejam imperfeitas, como também é natural vivermos momentos de retrocessos. E são nesses momentos, como o que vivemos hoje, no Brasil e no mundo, que a junção da neurociência com a filosofia pode nos guiar em nossas escolhas. A neurofilosofia nos permite pensar um mundo adequado ao nosso destino: a construção do humano.

Nesse mundo, a liberdade, representada na política pela democracia, é essencial, pois nos permite também, não somente pensar, mas também agir, ao votar naqueles  que representam   nossos mais caros valores no processo de construção do humano.

É assim que farei minhas escolhas nas próximas eleições: votando em candidatos que prezam e lutam pela liberdade, tolerância, compaixão, respeito às instituições e, sobretudo, pela não violência.

 Pois é num mundo assim que quero viver.

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Dezembro, mês do otimismo

 


 

Final de dezembro é tempo para balanços e renovação do otimismo. Se o ano foi muito ruim espera-se um próximo ano bem melhor. Se, ao contrário o ano foi bom espera-se que a onda de bonança prospere ainda mais.

Em relação à pandemia há razões para sermos otimistas.

Em dezembro de 2020 o mundo contava com 81 milhões de contaminados e 1.800.000 mortes pela Covid-19. No Brasil, eram mais 7 milhões e casos, com 1200 mortos por dia, totalizando na época 193.000 mortes pela doença. A vacina, que começou a ser aplicada nos Estados Unidos, ainda não estava disponível aqui.

Celebramos a passagem do ano desejando um novo ano melhor. E de fato, foi.

No final de janeiro de 21 começou a vacinação em todo país. A pandemia seguia seu curso forte, com aumento do número de casos e de mortes. Os hospitais lotados, adaptando áreas e pessoal para dar conta do número de doentes com Covid-19. A mortalidade diária só aumentava, atingindo o pico em março, com 3467 mortes ao dia.

À medida que a cobertura vacinal progredia, os números foram gradualmente caindo.

A promessa da ciência estava sendo cumprida: a vacina estava vencendo o coronavírus.

Chegamos a dezembro de 21 com 154 mortes ao dia. Apesar do número acumulado de 619000 mortes e um total de 22 milhões de casos, a doença estava controlada em todo país.

Nos hospitais, a partir do segundo semestre os leitos destinados ao tratamento dos infectados pelo corona foram sendo progressivamente desativados. Chegamos em dezembro com funcionamento praticamente normalizado.

Com mais de 70% da população vacinada em dezembro de 21 temos lastro para sermos otimistas com o novo ano que chega.

Brindemos: saúde!

 

 

 

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Sem Fé ou Confiança

 


...todo-o-mundo é louco. O senhor, eu, nós, as pessoas todas. Por isso é que se carece principalmente de religião: para se desendoidecer, desdoidar. Reza é que sara da loucura. No geral. Isso é que é a salvação-da-alma... Muita religião, seu Moço!

Guimarães Rosa

 

Entre tantos descalabros nesta pandemia um dos que mais me impressiona é a realização de festas clandestinas, organizadas e frequentadas por jovens. Sem máscaras, aglomerados, saboreiam seus drinks enquanto o jogo de luz se encarrega de cegá-los para os números crescentes de vítimas da Covid.  O som alto os ensurdece aos apelos da maior parte da sociedade que segue as recomendações das autoridades na esperança de não se contaminar.

O que celebram não sei, mas fica claro que perderam a confiança nos discursos das autoridades médicas, contaminados por interferências políticas.

Vivemos o tempo do achismo e, ao contrário do que disse Le Breton, a palavra do especialista já não é mais evangelho para o leigo, que a desdenha com festas.

O baile sem máscaras parece uma dança de insanos em torno da fogueira da morte.

A epígrafe de Guimarães Rosa talvez nos ajude a compreender esse comportamento, no mínimo imprudente, principalmente quando o lemos sob a perspectiva da história.

Tucídides, considerado um dos pais da ciência histórica por sua imparcialidade, narra em seu livro, História da Guerra do Peloponeso, pormenores da peste que atacou Atenas em 430 aC.

 Além de descrever os sintomas e a alta mortalidade da peste, Tucídides relata o comportamento das pessoas que tornaram-se “menos inibidas na indulgência de prazeres” e, como resultado, haviam decidido “buscar satisfação rápida e prazerosa, reconhecendo que nem a vida nem a saúde iriam durar muito”. A nova honra e o novo valor para os atenienses passaram a ser o prazer imediato. Não os inibiam o medo dos deuses, muito menos as leis humanas. É como se já se sentissem condenados à uma sentença de morte, de modo que o melhor seria “buscar alguma diversão na vida, antes da queda”.

Creio que um sentimento desses deve passar na cabeça de cada um daqueles que pagam ingressos para participar dessas festas.

Em defesa dos atenienses, pelo menos podemos dizer que eles estavam em meio a uma guerra quando foram assolados por um mal inédito, de causa desconhecida, que não selecionava vítimas e contra o qual não havia tratamento.

Não sabemos tudo sobre a Covid-19, mas temos um corpo de informações suficientes para nortear nosso comportamento, essencial para nos livrarmos da pandemia. Entretanto, a pletora de desinformação entorpece a razão e alimenta a angústia.

Nem mesmo a fé é capaz de aplacar o sofrimento. Também pudera, a religiões andam apartadas de sua missão original. Vivem hoje no discurso de políticos vulgares e disputa cargos no governo e bancadas no parlamento.

A pandemia desvelou um mundo de gente carente de fé genuína e de confiança no conhecimento. São pessoas desnorteadas que, ignorando o caminho da igreja ou da academia, foram   dançar no baile da insensatez.

 

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