Atuação

• Coordenador do Serviço de Neurocirurgia e Neurologia do Hospital Unimed BH • Neurocirurgião do Biocor Instituto, Belo Horizonte, MG Membro Titular da Academia Mineira de Medicina • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia • Membro do Congresso of Neurological Surgeons • Mestrado e Doutorado em Cirurgia pela UFMG

Especialidades

• Malformação • Artério Venosa • Aneurisma Cerebral • Cirurgia de Bypass • Revascularização Cerebral • Cirurgia de Carótida • Tumores Cerebrais • Descompressão Neurovascular • Doença de Moya-Moya Tumores da Base do Crânio Doppler Transcraniano

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O supremo descaso com a saúde... dos outros


No último dia 30 de novembro, o Supremo Tribunal Federal validou o programa  Mais Médicos, criado no governo Dilma, com o intuito  de melhorar a saúde pública brasileira.
A Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina questionavam principalmente dois pontos do programa que são escandalosos: primeiro, para o médico estrangeiro participante do programa não há necessidade de validação do diploma. A revalidação é uma prova aplicada pelos conselhos regionais de medicina para avaliar os conhecimentos médicos de estrangeiros; segundo,  os médicos cubanos participantes do programa ganham bem menos do que seus pares.
Em seu voto, o relator do processo, o decano Marco Aurélio de Mello, interpretou que a dispensa da necessidade de revalidação coloca em risco a saúde da população. Quanto ao pagamento menor aos médicos cubanos, o ministro também foi contra, afirmando que isso violaria a dignidade desses profissionais.
Infelizmente, apenas a ministra Rosa Weber acompanhou o voto de Marco Aurélio. Seis outros ministros votaram contra o relator, ou seja, a favor do Mais Médicos, sem modificações. Foram eles:  Alexandre Moraes, Édson Fachin, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Carmem Lúcia. O placar foi folgado, 6 a 2.
Essa votação encerra os questionamentos das entidades médicas cuja preocupação maior não repousa apenas na ineficácia do programa para a solução de problemas da saúde pública, mas também pelo risco potencial para aquela parcela da população menos favorecida.
O governo atual herdou a nefasta política pública dos governos anteriores. A solução proposta é arriscada: importar médicos, sem se importar com a qualidade. Ao lado dessa medida, a abertura indiscriminada de faculdades de medicina, cuja intenção é  facilitar o acesso da população aos médicos. Não se pensou em nenhum momento que a formação de um profissional da saúde é longa, sacrificada e exige não apenas infraestrutura das escolas, mas um corpo docente de qualidade.
Mais médicos não significa mais medicina. A carência de enfermeiras e técnicos de enfermagem é muito mais crítica do que a de médicos. O programa também não resolve a grave lista de espera por cirurgias eletivas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) . Tampouco se preocupou com o fechamento de leitos para o SUS, nem com a falta de vagas em CTI e outros pontos importantes que precisam de urgência ainda maior do que o aumento do número de médicos.
Na contramão do governo, a medicina privada hoje tem, como seu principal desafio, a busca pela qualidade da assistência. As melhores instituições do país pagam para ser auditadas em busca de selos de qualidade que a diferenciam pela segurança oferecida aos pacientes. O gerenciamento de um corpo clínico e dos profissionais da sáude, devidamente qualificados, é condição primeira para essa busca.
Nesse aspecto, os ministros que votaram a favor do Mais Médicos não precisam se preocupar. Afinal, eles não precisam do SUS. Se necessitarem de uma consulta, de um exame ou de uma internação, sabem a quem recorrer. Serão atendidos por médicos com títulos de especialistas,  devidamente registrados nos conselhos regionais de medicina e  que trabalham em instituições com selos de qualidade.
Já para os demais brasileiros que não têm a mesma sorte, uma consultinha com um médico cubano, que saiba ou não medicina, está de bom tamanho.







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Sete passos simples para a saúde do cérebro


A American Heart Association e a American Stroke Association, entidades dedicadas ao estudo das doenças cardíacas e cerebrovasculares, publicaram, na conceituada revista Stroke, um aconselhamento sobre a saúde do cérebro.
O aconselhamento, chamado de “os sete simples da vida”, em tradução literal (Life´s simple 7), elenca sete passos já recomendados para a saúde cardiovascular e que também podem prevenir a demência relacionada ao AVC, demências vasculares e Alzheimer.
Estas entidades se basearam em pesquisas médicas que, de modo convincente, demonstraram que os mesmos fatores que causam a aterosclerose contribuem para o desenvolvimento de demências relacionadas a doenças cerebrovasculares e mesmo o Alzheimer.
Seguindo os sete passos propostos, as pessoas podem não só prevenir ataques cardíacos e o AVC, como também proporcionar melhor funcionamento do cérebro.
A maior parte dos sete passos incluem mudanças de hábito, ou seja, dependem da própria pessoa. São eles:
1.    Não fumar
2.    Fazer atividade física
3.    Perder peso e/ou manter o índice de massa corporal abaixo de 25kg/m2
4.    Ter uma dieta saudável
5.    Controle da pressão arterial (120/80 mmhg)
6.    Controle do colesterol (<200 mg/dL)
7.    Controle da Glicose no sangue (<100 mg/dL)
O índice de massa corporal (IMC) pode ser calculado a partir do peso e altura. A recomendação da OMS é que o IMC fique entre 18,5 e 25 Kg/m2. Esse indicador isolado não determina se você está acima ou abaixo do peso ideal. Outros fatores como idade, gênero e condicionamento físico devem ser levados em consideração.
Em crônicas anteriores, falamos sobre a Mind diet, um tipo de dieta que pode prevenir doenças degenerativas do cérebro. Ela inclui o uso regular de grãos integrais, vegetais de folhas verdes, nozes, feijão, aves, frutos silvestres (mirtilo, groselha) e peixe. Na composição da dieta ideal para o cérebro, deve-se também levar em consideração os alimentos que devem ser evitados como a carne vermelha, manteiga e margarina, queijos gordurosos, doces, frituras e fast food.
Para saber sobre sua pressão arterial e os níveis de colesterol e glicose, vale a pena consultar um médico clínico. Felizmente, há tratamento eficaz caso haja alterações nesses exames.

Até lá, você pode e deve trilhar o caminho que leva à boa saúde do seu cérebro, começando pelos quatro primeiros passos.






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A Saúde de Temer



“0 corpo dos médicos se crítica mais do que se protege e devido a isto é indispensável para proteger o povo contra suas próprias ilusões e os charlatães mistificadores. “
CABANIS, Du degré de certitude de la medecine.

Infelizmente, os noticiários só dão conta das manobras políticas e maracutaias que o nosso presidente interino, Michel Temer, emprega para se manter no poder.
O maior desastre de seu governo, entretanto, passa desapercebido pela grande imprensa: sua atuação na área de saúde. Uma das facetas dessa administração perversa é a abertura desenfreada de escolas médicas, sob o pretexto de melhorar a qualidade da medicina pública, aumentando a quantidade de médicos no mercado.
Enquanto o Brasil observava com indiferença o resultado da votação na Câmara dos Deputados, o governo brasileiro acionava, mais uma vez, a caneta que mata: decretou a abertura de mais onze cursos de medicina no sul e sudeste do Brasil. As cidades contempladas foram: Angra dos Reis, no Rio de Janeiro; Araras, Guarulhos, Mauá, Osasco, Rio Claro e São Bernardo, em São Paulo; Campo Mourão e Pato Branco, no Paraná e Novo Hamburgo e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. 
O presidente afirmou que estava "destravando pendências" de 2014. Talvez quisesse dizer que o projeto “mais médicos” não é obra de seu governo, mas, ao dar continuidade a essa insensatez, ele também entrará para a história como um dos grandes responsáveis pelo agravamento da já precária saúde pública brasileira.
A abertura de escolas médicas, a grande maioria privadas, sob o pretexto de resolver o problema de saúde pública é uma falácia. Isso já aconteceu em outros países com resultados desastrosos.
 Em 1791, por exemplo, o governo que comandou a revolução francesa decretou o fechamento das Universidades e liberou os cidadãos para a prática e ensino da medicina. Nada de exames, nada de títulos que comprovassem competência. Bastava ao interessado obter de seu município um certificado de civismo e de probidade. Com a profusão de médicos com formação sem controle das entidades médicas, o desastre não demorou a acontecer. Michel Foucault descreve, em seu livro O Nascimento da Clínica, as consequências desta política equivocada:
O público é vítima de uma multidão de indivíduos pouco instruídos que, por sua autoridade, se erigem em mestres da arte, distribuem remédios ao acaso e comprometem a existência de vários milhares de cidadãos (...) Por toda parte, pedem-se instâncias de controle e uma nova legislação. (...) Quantos ignorantes assassinos não inundariam a França, se autorizassem os médicos, cirurgiões e farmacêuticos de segunda e terceira classes a praticar suas profissões respectivas sem um novo exame (,,.)  e sobretudo nesta sociedade homicida onde  se encontram os charlatães mais acreditados, mais perigosos.
A funesta experiência da revolução francesa na área da saúde terminou com a volta das Universidades ao controle das entidades médicas. 
O Brasil, na contramão dos pareceres do Conselho Federal de Medicina (CFM), é hoje o país com mais faculdades de medicina no mundo. Além destes onze cursos abertos, agora já são mais de 257 cursos, sendo que apenas 170 deles são reconhecidos pelo CFM. Até o final de 2018, o número de novos estudantes deve pular para 27 mil ao ano, de acordo com a Lei do Mais Médicos. Isso, na prática, é o mesmo que liberar o ensino sem lastro de qualidade, como aconteceu na revolução francesa.
O lado sombrio desses atos do governo é que os governantes nada sofrem com as medidas. Aos 76 anos de idade, com aparente boa saúde, Michel Temer deve viver para ver as consequências dos atos rabiscados com sua caneta assassina: milhares de médicos, com formação precária pelas faculdades que ele autorizou, estarão brigando por um local de trabalho e pela própria sobrevivência, sem se preocuparem com a qualidade da medicina oferecida.

Ao contrário dos brasileiros carentes, Michel Temer não precisará desses médicos. Afinal, certamente terá malas de dinheiro para pagar àqueles profissionais formados em escolas decentes e com qualificação adequada.  





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Saúde, Vida Longa e Morte Súbita



Locais de venda:

 Livraria Leitura
Shopping Pátio Savassi
Lojas 235 e 236
Av. do Contorno 6061, Funcionários, Belo Horizonte
Fone (31) 3288-3800


Av. Alfredo Balena, 190 - Belo Horizonte 30130-100 Brasil
Fone:(31) 3273-1955 - Fax:(31) 3226-7955

www.coopmed.com.br





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A doença da celebridade e do cidadão comum


Hoje, em algum pronto atendimento do país, uma senhora de 65 anos está sendo atendida por um neurocirurgião. Ela teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico por ruptura de um aneurisma cerebral. Trata-se de uma doença grave, e o neurocirurgião sabe de antemão que, apesar de todos os tratamentos instituídos da melhor forma possível, a possibilidade dessa paciente morrer ou ficar com sequelas é grande.
Apesar da gravidade, não é um evento excepcional. Todo o empenho do neurocirurgião se concentra no tratamento do aneurisma e na prevenção de complicações próprias desse tipo de hemorragia. Exige cuidados intensivos por tempo prolongado, que pode se estender por duas ou três semanas, se não mais. 
A mesma doença em uma celebridade não terá evolução diferente daquela do cidadão comum. Entretanto, todos os envolvidos no tratamento se veem expostos ao furor da mídia, ávida por notícias. Nesse turbulento ambiente, uma preocupação a mais passa a fazer parte do trabalho médico: a preservação da privacidade do paciente e de seus familiares.
Marisa Letícia, falecida esposa de Lula, foi vítima de AVC e da exposição indevida de seus exames nas redes sociais.
O tratamento do AVC não é trabalho de uma pessoa, mas de uma equipe multidisciplinar: emergencistas, intensivistas, neurorradiologistas, neurocirurgiões, clínicos, enfermeiras, fisioterapeutas, psicólogos. Exige do hospital uma sofisticada infraestrutura, além de um corpo clínico treinado no tratamento e reabilitação do paciente.  Além da capacitação técnica, todos os envolvidos no tratamento de qualquer paciente sabem e praticam o sigilo profissional.
Nos tempos atuais, as pessoas estão acometidas de uma doença peculiar, a que chamei em outra crônica de Jornalite: a imperiosa compulsão de divulgar pelos canais sociais tudo o que parece notícia. Isso inclui fotos de pacientes, de seus exames e de opiniões sobre todo e qualquer assunto, de qualquer área de conhecimento.
Em um passado não muito distante, as celebridades sofriam com a invasão e inconveniência dos paparazzi. Hoje, qualquer um de nós está exposto ao furor das pessoas munidas de celular e de uma incontrolável necessidade de registrar e divulgar fotos e filmes nas redes sociais.  
Pelo menos no ambiente médico essa praga deve ser combatida. Qualquer pessoa, celebridade ou não, tem o direito à privacidade, que faz bem à saúde.
No caso de celebridades, entretanto, é necessária a divulgação de boletins médicos, redigidos com o cuidado de bem informar. Ávidas de informações, as pessoas devem obtê-las de fonte segura, evitando-se assim os costumeiros boatos e deturpações das notícias.
Outro bom serviço que a imprensa pode prestar nessas ocasiões é o esclarecimento sobre a doença em foco. No caso de Dona Marisa, por exemplo, foi uma boa oportunidade para educar as pessoas sobre o AVC: seus tipos, suas causas, a importância do diagnóstico e tratamento precoces e, sobretudo, a prevenção.  
Uma boa prática seria essa: trocar a invasão de privacidade e o sensacionalismo pela difusão de conhecimento. 

Assim, a pauta dos jornais voltaria a ser educativa, em vez de se debruçar, como de costume, nas atrocidades e barbaridades do mundo afora. 




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Aumento de casos de AVC em jovens


Os fatores de risco para o acidente vascular cerebral, o derrame, são praticamente os mesmos do infarto do miocárdio: hipertensão arterial, tabagismo, obesidade, sedentarismo, diabetes e taxas elevadas de colesterol.
Isso representa uma vantagem, uma vez que medidas preventivas são eficazes para combater duas doenças relacionadas à morte precoce ou diminuição da qualidade de vida.
Ao longo do tempo, notadamente na segunda metade do século passado, o conhecimento desses fatores de risco para as doenças cerebrovasculares foi o grande responsável pela diminuição progressiva dos casos de acidente vascular cerebral ao longo dos anos.
Entretanto, essa tendência está se revertendo agora e por uma razão preocupante: o aumento de casos de AVC em jovens.
Estudo publicado no Journal of the American Heart Association de novembro de 2016 mostra que persiste o declínio de AVC em pessoas acima de 55 anos. Já os casos entre pessoas de 35 a 39 anos mais do que dobraram. 
Os pesquisadores concordam que a tendência se deva a fatores ligados ao estilo de vida. A geração dos baby boomers, nascidos entre 1945 e 1954, aprendeu a lição e passou a controlar melhor os fatores de risco, dentre eles o cigarro. Essa geração também escapou do excesso de consumo de açúcar e da epidemia de obesidade e diabetes.
A geração seguinte não seguiu o mesmo caminho. É alta a incidência de obesidade e sedentarismo em pessoas com idade inferior a 40 anos.
Some-se a isso o uso de pílula anticoncepcional que também é fator de risco conhecido sendo considerado um dos responsáveis pelo aumento de AVC em mulheres jovens.
A mensagem deste estudo é bem clara: desde jovens, as pessoas precisam investir na prevenção das doenças cardiovasculares e mantê-la por toda a vida.
Não fumar, controlar o peso, fazer atividade física regular e ter uma dieta adequada são passos fundamentais na prevenção.
Isso envolve o remédio mais difícil de tomar, mas o mais eficaz: mudança de hábito.
Além disso, tomar medicamentos para controle da hipertensão arterial e os níveis de colesterol, quando necessários, complementam a estratégia para se reverter essa tendência de aumento dos casos de AVC.

Nunca é demais lembrar que, na economia de saúde, investir em prevenção é sempre um bom negócio. 




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Olim...piada: esporte é saúde!

As Olimpíadas do Rio foram um espetáculo. O mundo todo pôde ver atletas de diversos países disputando as tão sonhadas medalhas olímpicas. Entretanto, esse espetáculo grandioso tem uma faceta pouco comentada: para se alcançar sucesso nesse tipo de competição, os atletas buscam o limite do corpo humano, a superação física e metas ambiciosas que fascinam o público.  Para além do glamour e das cifras bilionárias que acompanham os louros das vitórias,  há um preço solitário a ser pago pelo atleta: lesões agudas ou tardias em seu corpo provocadas por excesso de treinos e competições. 
Nas Olimpíadas do Rio, um halterofilista armênio, Andranik Karapetyan, quebrou o braço ao tentar erguer 195 kg.Na ginástica artística, o francês Samir Ait Said caiu de mau jeito durante a execução de seu salto e fraturou a perna; a ginasta brasileira, Jade Barbosa, não teve melhor sorte: caiu de joelhos e depois teve uma lesão no tornozelo, deixando o estádio olímpico em cadeira de rodas; a ciclista holandesa Annemiek van Vleuten liderava a prova de rua quando caiu, bateu a cabeça no meio fio e sofreu traumatismo craniano. Ao invés de ir para o pódio, acabou no CTI onde foi constatada contusão cerebral e fratura de vértebras lombares. Também em prova de rua, o ciclista colombiano Sergio Luis Henao fraturou a bacia, e  Vicenzo Nibali quebrou a clavícula; no futebol, na partida entre México e Fiji. O capitão do time mexicano Oribe Peralta fraturou o nariz, e o meio de campo Rodolfo Pizarro, a fíbula direita.  
O tornozelo foi o ponto fraco de outros competidores: após torção, o tenista alemão Dustin Brown desistiu da partida contra o brasileiro Thomaz Bellucci. Pelo mesmo motivo, o jogador de vôlei do Egito, Ahmed El Kotb, deixou a competição contra a Polônia na quadra do Maracanãzinho
No judô, na luta pela repescagem da categoria ligeiro contra a atleta da Mongólia, Urantsetseg Munkhbat, a judoca brasileira Sarah Menezes sofreu luxação no cotovelo direito e, após a derrota, saiu da arena com o braço imobilizado.
Marta Baeza, da esgrima, abandonou a disputa individual de sabre contra a polonesa Bogna Jozwiak, após torcer o joelho esquerdo.
No esporte, o tempo de recuperação do atleta lesado nem sempre é obedecido, por razões muitas vezes obscuras.
Lesões traumáticas acidentais realmente fazem parte do jogo, e a organização desses eventos leva em consideração a segurança de determinados esportes. O ciclismo de rua, por exemplo, pode ser revisto dentro dessa perspectiva. Não será a primeira vez. Nas Olimpíadas de Atenas de 1896, os organizadores instituíram uma nova competição ciclística na qual os atletas deveriam pedalar doze horas a fio. Sete atletas participaram, e só dois chegaram ao final da competição. Não foi difícil decidir pela retirada dessa modalidade como competição olímpica.
Nada,entretanto, justifica a brutalidade de determinadas modalidades ainda consideradas esportes. O Pancrácio, por exemplo, era um tipo de modalidade esportiva que fez parte dos jogos olímpicos entre os anos de 648 a. C. e 383 d. C.. Era uma forma mais violenta do que as lutas de MMA de hoje. Misturava técnicas do boxe, da luta grega e do vale-tudo ou quase tudo e só terminava quando um dos oponentes estava à beira da morte.
Hoje, até autoridades como Dr. Ricardo Munir Nahas, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte reconhece que lesões traumáticas no boxe são corriqueiras, fazem parte do próprio esporte. Nas palavras deles, “quebrar o nariz lutando boxe não é nada absurdo”.
Esse tipo de conceito deve ser revisto. Há muito mais dano relacionado ao boxe do que fraturas dos ossos da face. As lesões cerebrais causadas por traumatismos repetidos na cabeça são irreversíveis e estão relacionados ao desenvolvimento tardio de um tipo de demência em tudo semelhante ao Alzheimer. Esporte como esse não deve ser considerado Olímpico. É Pancrácio disfarçado.

O espetáculo das Olimpíadas deve ser sempre louvado como uma ode ao esporte como meio eficaz de confraternização entre os povos.  Entretanto, é preciso levar mais a sério os limites naturais do corpo humano e a segurança dos atletas nas competições. Caso contrário, o mote “esporte é saúde” não passará de piada olímpica. 




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Velhice e Solidão



“Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece
No quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora”
Caetano Veloso, Desde que o samba é samba

Às vésperas da estreia de minha peça, “DDD: deleite, depois delete”, resolvi fazer uma pesquisa sobre a velhice com meus contatos no facebook . Afinal, essa comédia gira sobre três senhoras às voltas com a internet. Pensei ser mais do que adequado usar a internet para esse diálogo.
Lancei a seguinte pergunta: qual a doença mais grave da velhice?
Para minha surpresa, a resposta mais frequente não foi uma doença, foi a solidão. Vinte e dois por cento das respostas apontava a solidão como a “doença” mais grave da velhice. Se acrescentarmos abandono, invisibilidade e outras palavras que expressam o mesmo sentimento, o número de respostas é ainda maior. 
Confesso que esperava que as pessoas fossem se referir ao Alzheimer, ao derrame ou Parkinson, doenças comuns no envelhecimento. Foram poucas essas respostas.
Solidão não é uma doença. Segundo o Houaiss, solidão é um estado, uma sensação de quem se acha ou se sente desacompanhado, só, isolado do mundo.
O poeta Caetano, em sua canção “Desde que o samba é samba”, nos lembra que a solidão apavora, “tudo demorando em ser tão ruim”.
Talvez seja essa a razão dessa resposta prevalente. Não sei da idade da maioria das pessoas que respondeu à minha pesquisa. Certamente, não são todos idosos e falam da velhice como uma reflexão, baseados em suas experiências familiares ou em suas expectativas. Talvez seja este o recado. A velhice, tal como a solidão, apavora.
Montaigne (1533-1592), em seus Ensaios, trata a solidão como uma meta para a velhice. Nos diz: “É preciso ter como reserva um recanto pessoal, independente, em que sejamos livres em toda acepção da palavra, que seja nosso principal retiro e onde estejamos absolutamente sozinhos. Aí nos entreteremos de nós com nós mesmos, e a essa conversa, que não versará nenhum outro assunto, ninguém será admitido”.  
Ouvi num filme italiano que a doença mais grave da velhice é a aposentadoria.
Penso ser a inatividade, física ou mental.
Seja como for, a maioria de nós quer mesmo é seguir em frente, e a estação derradeira é justamente a velhice.

Talvez seja agora o tempo de nos prepararmos para chegarmos a essa estação. Sozinhos. 





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Tamanho não é documento



A campanha do governo para combate à epidemia de dengue, chikungunya e zika tem como alvo o mosquito transmissor da doença. Com estardalhaço, até o exército foi convocado porque o mosquito “não pode ser maior que o país”.
O problema é que, nesse caso, tamanho não é documento. Há mais de quinze anos, o Brasil vem combatendo o mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue. E continuamos a conviver com o fantasma da dengue nos rondando em todo  verão.
O mesmo mosquito transmite outros vírus, como o zika, associado a casos de microcefalia e à síndrome de Guillain-Barré.  A partir dessa descoberta inédita, criou-se comoção mundial, e a fúria contra o mosquito tornou-se exacerbada.
A própria presidente, literalmente, vestiu a camisa da campanha e saiu às ruas à caça do mosquito e de seus focos de criação.
Acontece que esse tipo de campanha pode até ser necessária, mas nunca será suficiente. Fosse assim, nestes mais de quinze anos teríamos tido avanços no controle dessa típica epidemia brasileira.
Se, por um lado, a quebra de braço contra o mosquito me parece luta perdida, por outro, medidas mais ousadas têm sido agora estimuladas: a busca por uma vacina, ou a interferência genética no próprio mosquito, restringindo sua reprodução. Pesquisas com esses objetios poderão ser capazes de vencer a guerra contra o mosquito, ou mesmo contra os vírus que ele carrega.
Esta epidemia de zika trouxe, como grande benefício, o investimento em pesquisas. Até então, estávamos condenados a campanhas publicitárias contra o mosquito da dengue, sem muito sucesso. Agora não — verbas são corretamente investidas em busca de soluções mais inteligentes e eficazes.
É verdade que ainda restam dúvidas quanto à associação do vírus zika com doenças neurológicas. Mas debruçar sobre a dúvida é a verdadeira vocação da ciência.
E não duvido que saia daqui do Brasil a melhor maneira de controlar essa epidemia. Isso porque o Brasil tem excelente time de cientistas e instituições dedicadas ao estudo de doenças tropicais. Mas só agora foram escalados os recursos necessários para o avanço nas pesquisas.


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2015: Novidades da pesquisa médica


Os editores de uma das mais prestigiosas revistas médicas, o New England Journal of Medicine, ao final de cada ano fazem um balanço das pesquisas publicadas que podem modificar a prática médica ou ter grande impacto para a saúde das pessoas.
Em 2015 eles escolheram 12 tópicos relevantes. Iremos comentar três deles.
Qual o valor adequado da Pressão Arterial?
Num grande estudo, chamado SPRINT, os pesquisadores compararam dois alvos para a pressão arterial em mais de 9000 pacientes hipertensos, não diabéticos, mas com alto risco para infarto ou AVC.
Pouco mais de três anos depois de iniciado, o estudo foi interrompido, pois foi detectado que o grupo com tratamento intensivo apresentava menos eventos do que o grupo padrão. A média da pressão arterial no grupo do tratamento intensivo foi de 121,5mmHG e, no grupo controle, 134,6mmHg.
A redução do risco foi de 1,6%. Parece pouco, mas não é. Na prática, para prevenir um evento cardio-vascular foi necessário tratar de modo intensivo 60 pacientes em três anos. A American Heart Association ainda não soltou nenhuma recomendação a respeito deste estudo. Entretanto,  vai ficando claro que o alvo ideal do tratamento da hipertensão arterial está mesmo próximo dos 120 mmHG.
Novo tratamento para o derrame
Cinco grandes estudos que  foram publicados em 2015 mostraram os benefícios de um novo tratamento para o acidente vascular cerebral (AVC, derrame). Trata-se da nova geração de “stents” que são introduzidos dentro das artérias cerebrais para retirar coágulos.
São vários os tipos de derrame. Os estudos mostraram benefícios marcantes para apenas alguns tipos , que representam cerca de 10%.
Estes novos tratamentos requerem centros especializados no tratamento do AVC e os pacientes devem ser tratados em até seis horas após o início dos sintomas.
Além de indicar o tratamento para os tipos de AVC com benefícios demonstrados na pesquisa, a  American Heart Association e a Associação americana de AVC consideram razoável este tratamento para outros subgrupos.
Testosterona para andropausa
À medida que o homem envelhece os níveis de testosterona no sangue diminui. Seguindo o mesmo raciocínio utilizado no tratamento da menopausa para as mulheres, tem sido comum a prática de se prescrever reposição de testosterona para homens, alguns deles com sintomas que são chamados de andropausa.
Um estudo publicado em 2015 estudou a reposição de testosterona em 308 homens com níveis no limiar inferior ou ligeiramente abaixo dos valores estabelecidos pelos laboratórios. Foram avaliadas a qualidade de vida e a função sexual, mas a reposição hormonal não mostrou nenhum benefício.
Este estudo é importante, pois sabe-se que a reposição de testosterona aumenta o risco de problemas cardiovasculares.
Desta forma, a reposição hormonal masculina não é indicada para homens assintomáticos, ou com poucos sintomas, quando os níveis de testosterona estão no limiar inferior.
Entretanto, mantem-se a indicação para repor a testosterona naqueles  pacientes com deficiência do hormônio. 



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Ziquizira



Carlos Chagas (1879-1934), médico sanitarista brasileiro, foi o primeiro e continua sendo o único cientista do mundo a descrever completamente uma doença infecciosa: o agente causador, o mosquito transmissor, os hospedeiros e o quadro clínico. A doença de Chagas, como é conhecida, é causada por um protozoário, o Trypanossoma cruzi. Por muito menos, vários cientistas do mundo já ganharam o prêmio Nobel de Medicina.
Lembro de Chagas, que elucidou para o mundo uma nova doença, quando vivemos a epidemia de microcefalia, que assola o norte e nordeste do país.
A microcefalia é doença congênita já conhecida. O cérebro não se desenvolve adequadamente. O diagnóstico é feito pela medida do perímetro cefálico do recém-nascido acometido, que mede 32 cm ou menos. O diagnóstico pode ser confirmado por imagens do cérebro. Não há tratamento específico, e as crianças acometidas evoluem, na maioria das vezes com retardo mental.
São diversas as causas de microcefalia, como malformações do sistema nervoso central, desnutrição ou exposição a substâncias tóxicas durante a gravidez e infecções como toxoplasmose, rubéola e outras doenças virais.
Foi identificado um aumento de casos (surto) de microcefalia no Brasil. Até agora, são mais de 1200 casos diagnosticados, metade deles no Estado de Pernambuco.
O que faz deste surto uma novidade científica é sua associação com o  vírus Zika, apontado como causa das microcefalias diagnosticadas. O mosquito transmissor desse vírus é o mesmo da dengue, o Aedes aegipty.
A associação da infecção pelo Zyka com os casos de microcefalia é feito brasileiro. As investigações continuam para esclarecer pormenores da transmissão da doença e o comportamento do vírus no organismo humano.
Sabe-se que o período de maior risco está nos primeiros três meses de gravidez. Recomenda-se às gestantes que, independente do destino, consultem seu médico antes de viajar. A doença ainda está restrita a algumas regiões, mas o mosquito Aedes aegipty, infelizmente, já é patrimônio nacional.
A prevenção da infecção exige os mesmos cuidados para a prevenção da dengue, transmitida pelo mesmo mosquito: uso de repelentes e roupas de manga comprida, além do combate ao mosquito com ênfase na eliminação de águas paradas em casa ou no trabalho.

Cientistas brasileiros e a organização mundial de saúde já estudam em conjunto essa nova ziquizira.
Que esse esforço conjunto mereça um prêmio. Não o Nobel, mas o da erradicação da microcefalia infecciosa e, como bônus, da dengue.

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Rachel Kopit
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Pajelança no STF


Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal por principiar.
                                               Guimarães Rosa


A judicialização da medicina é, sem dúvida, um dos fatores mais importantes para o encarecimento dos serviços de saúde no Brasil.
Nossa constituição reza que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Mas não impõe limites nem de gastos, nem de custos. Advogados e juízes, sem entender de medicina, podem decidir sobre tratamentos caros e, não raro, completamente ineficazes.
Assim, a caneta de um juiz pode exigir que o Estado ou planos de saúde paguem por tratamentos, mesmo se eles não forem comprovadamente eficazes. O problema é que se esta caneta não mata, ela também não salva. 
Não entender de medicina é compreensível. Mas não é difícil compreender o longo caminho que determinada medicação percorre para sair do ambiente de pesquisa, para tornar-se disponível para o receituário do médico.
Este caminho é uma pirâmide. Na base dessa pirâmide, estão os estudos em laboratório, que sugerem que determinado medicamento possa ter efeito terapêutico.  No degrau acima, essa droga é experimentada em animais. Quando parece ter algum efeito, ela passa a ser candidata a ensaios clínicos, envolvendo seres humanos.
Esses ensaios têm geralmente quatro fases. Na fase I, é estudada a segurança de uma droga que promete ser eficaz. Nessa fase, a eficácia não é estudada. O principal objetivo é determinar a dose adequada.  O que esse tipo de estudo quer responder é se é ou não seguro utilizar a medicação em humanos. Geralmente a pesquisa inclui entre 20 e 80 voluntários sadios.
Vencida essa primeira etapa, passa-se para a fase II. Nessa fase, a eficácia é testada. A medicação é utilizada em 100 ou 200 pacientes e confirma-se a segurança e efetividade para tratar alguma doença.
Vencida a etapa II, uma avalição em larga escala é planejada. São os ensaios clínicos que comparam a medicação nova com alguma já existente, ou placebo, uma composição que parece com a medicação, mas não tem nenhum efeito em nosso organismo. Para essa fase, chamada fase III, o número de pacientes é grande e esses estudos, muito caros, envolvem geralmente vários centros médicos de pesquisa.
Chegando ao topo da pirâmide de evidências, vários desses estudos, uma vez publicados, são avaliados quanto a possíveis falhas no método da pesquisa. Só assim, após esse longo percurso é que uma droga ou tratamento é largamente recomendado, ou seja, quando há evidências fortes de seu benefício para tratar doenças.
Um bioquímico da Universidade de São Carlos, Gilberto Orivaldo Chierice, no intuito de querer fazer o bem, está favorecendo o mal. Ignorando toda a pirâmide das evidências, ele resolveu prescrever para pacientes a fosfoetanolamina, um produto que ele testou em ratos de laboratório e que lhe pareceu eficaz no combate a um tipo de câncer. Se era bom para ratos com um tipo de câncer, pensou que pudesse ser útil para qualquer ser humano, com qualquer tipo de câncer.
Sem saber a dosagem correta, nem sequer se a droga era eficaz e para qual tipo de câncer, a medicação passou a ser distribuída por sua Universidade.
Por si só, isso já caracterizaria o exercício ilegal e irresponsável da medicina. Quando o erro foi percebido, a universidade cancelou o fornecimento da droga.
Pacientes passaram a utilizar a justiça para conseguir a nova panaceia.
O Tribunal de Justiça de São Paulo havia proibido o fornecimento da fosfoetanolamina, mas o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal e, para surpresa de toda comunidade científica, o ministro Edson Fachin, em liminar, liberou o fornecimento da droga.
É de doer: em pleno século XXI, quando a medicina reclama seu status de ciência por meio da prática baseada em evidências, um ministro do Supremo decreta a volta à pajelança.




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Dieta para o cérebro 2

A maioria de nós gostaria que a ciência simplesmente fosse capaz de fabricar uma pílula para prevenir o envelhecimento do cérebro. Melhor ainda se, em vez de pílulas diárias, o remédio fosse apenas três gotinhas a cada década, como já utilizado na prevenção da poliomielite. Entretanto, quando o assunto é demência, estamos longe disso.


Enquanto a tal pílula milagrosa não vem, vários estudos focam em hábitos de vida como possíveis fatores preventivos de demência. Um dos hábitos mais estudados é nossa alimentação. Afinal, atividade física muitos podem ou não fazer. O mesmo se aplica a fumar ou não. Mas quando o assunto é comida, todos formamos um único grupo, com variações apenas na qualidade nutricional dos alimentos mais comumente consumidos.

É cada vez maior a evidência de que a qualidade de nossa dieta pode influenciar no desenvolvimento de doenças do sistema nervoso, entre elas o mal de Alzheimer.

Um estudo recente, publicado no periódico Alzheimer and Dementia mostrou os resultados de um tipo de dieta, a MIND diet. A MIND é um híbrido da dieta do mediterrâneo e da dieta para prevenção da hipertensão arterial, conhecida como DASH. Tanto a dieta do mediterrâneo quanto a DASH se mostraram eficazes ao reduzir o risco de hipertensão arterial, infarto do miocárdio e derrame. De acordo com pesquisadores da universidade de Chicago, a dieta MIND pode desacelerar o declínio cognitivo dos idosos.

Este estudo observou a dieta de pessoas idosas por um longo período. O hábito alimentar daqueles que mais se aproximavam da dieta MIND correspondia a melhor desempenho em testes de memória e outras atividades do cérebro.

Em que consiste a dieta MIND? Basicamente são 15 componentes divididos em dois grupos: os saudáveis para o cérebro e os não saudáveis. No grupo de componentes a serem evitados estão incluídas a carne vermelha, manteiga e margarina, queijos gordurosos, doces, frituras e fast food. Do lado bom, estão grãos integrais, vegetais de folhas verdes, nozes, feijão, aves, frutos silvestres  (mirtilo, groselha) e peixe.

Foram observados pacientes acima de 80 anos por um período de cerca de 5 anos quanto à dieta. Os pacientes foram divididos em grupos, ajustando-se  valores importantes como idade, sexo, escolaridade e atividades cognitivas. Aqueles cuja dieta mais se aproximava da dieta MIND apresentaram menos declínio cognitivo, principalmente da memória para episódios recentes e memória semântica, aquela que nos permite evocar as palavras com facilidade. Em termos quantitativos, os pesquisadores notaram que os do grupo da dieta MIND tinham um desempenho que os equiparavam a pessoas 7,5 anos mais jovens.

Trata-se de um estudo observacional, portanto com limitações. Mas o recado é claro: uma dieta que seja boa para a prevenção de doenças como hipertensão arterial e infarto também é boa para o cérebro.

Estudos como esse apontam para um tipo de abordagem para prevenção da demência que inclui mudança de hábito.  

Mudar hábito é sempre difícil, mas quando essa mudança implica não só o aumento do tempo de vida, mas sobretudo a qualidade, vale a pena dar o primeiro passo.

Para comemorar, vale lembrar que a dieta do mediterrâneo inclui uma dose diária de vinho. Saúde!





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