Atuação

• Coordenador do Serviço de Neurocirurgia e Neurologia do Hospital Unimed BH • Neurocirurgião do Biocor Instituto, Belo Horizonte, MG Membro Titular da Academia Mineira de Medicina • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia • Membro do Congresso of Neurological Surgeons • Mestrado e Doutorado em Cirurgia pela UFMG

Especialidades

• Malformação • Artério Venosa • Aneurisma Cerebral • Cirurgia de Bypass • Revascularização Cerebral • Cirurgia de Carótida • Tumores Cerebrais • Descompressão Neurovascular • Doença de Moya-Moya Tumores da Base do Crânio Doppler Transcraniano

Contato

Alameda da Serra 400 / 404 - Nova Lima - MG (31)3264-9590 • (31) 3264-9387 jrasomd@yahoo.com.br

Vacina: um vaticínio

 A postura do governador do Estado de São Paulo, João Dória, em relação à vacina contra o Corona-vírus representa um manancial de reflexões sobre a saúde pública.

Sem entrar nos óbvios interesses eleitoreiros da atitude do governador paulista, sua atitude serviu, pelo menos, para uma coisa: acordar o governo do sono paralisante que o acometeu, desde o início da pandemia. Sono repleto de devaneios sobre o tamanho da gripezinha e de pesadelos repetidos à medida que o número de mortos avançava.

Entra na pauta do governo, finalmente, a prioridade para entregar ao país um plano nacional de vacinação.

E está bem na hora, pois a liberação das vacinas já se encontra ali na esquina, como costumam dizer os pesquisadores na área de saúde.

É imprescindível que o governo federal assuma o protagonismo nessa campanha de vacinação, para que o Brasil não perca uma de suas grandes vantagens se comparado até mesmo com países desenvolvidos: nosso programa de vacinação é muito bem estruturado e bem-sucedido. A vacinação contra a poliomielite, sarampo, rubéola, tétano e até mesmo a gripe apresenta exemplos de como é possível cobrir o país inteiro, desde os grandes centros urbanos com seus postos de saúde até aldeias indígenas, alcançadas por logística de transporte envolvendo até mesmo as forças armadas.

Para estarmos à frente de todos na erradicação da pandemia, basta adaptar o programa de vacinação em massa, gratuito, utilizando a estrutura do Sistema Único de Saúde, aliando forças com as secretarias estaduais e municipais de saúde para promover a vacinação em massa.

E para que o sucesso da campanha de vacinação seja garantido, é preciso despolitizar a questão e trazê-la para o norte do qual nunca deveria ter se desviado: o princípio ético da justiça social. Trocando em miúdos, esse princípio garante o acesso de toda população à política pública de saúde, sem discriminação de status social, gênero, raça ou local de moradia.

Sei que viveremos nos próximos dias e meses uma enxurrada de querelas em torno da vacina que promete nos livrar da pandemia: qual a melhor vacina? Qual será o fornecedor? Quais serão os grupos prioritários? Ministério da Saúde ou Secretarias Estaduais?

Vaticino que, ao final, o programa nacional de vacinação sairá vencedor desta disputa. Afinal, é um programa estruturado ao longo de anos, com ações positivas de governos de diferentes matizes ideológicos e que conseguiu se estabelecer como exemplo de boa prática de saúde pública.

Esse patrimônio nacional não deve, justamente agora, ser negado a todos nós brasileiros.   



revisão:
Rachel Kopit 
Ophicina de Arte & Prosa

[ Leia mais ]

Posted by Jair Raso 0 comentários »

Covid19 e o nosso Cérebro

Os efeitos da infecção do Covid-19 em nosso cérebro ainda não são completamente conhecidos.

Sabemos que cefaleia e perda do olfato, a anosmia, são manifestações comuns da infecção. 

O Sars-Cov foi detectado no cérebro de pacientes e animais infectados. É plausível que o Covid-19 tenha o mesmo comportamento.

Há duas maneiras pelas quais um vírus pode afetar o sistema nervoso: por dano direto ou secundários à resposta imunológica causada pela infecção. Além disso, o cérebro pode ficar comprometido pelos efeitos da doença em todo o corpo, notadamente nos casos mais graves.

Ainda não há prova definitiva de que o vírus ataque diretamente nosso cérebro. Já os danos provocados pelos outros mecanismos, estes foram relatados, como encefalopatia hemorrágica e Síndrome de Guillain-Barré.

Há também a suspeita de que os casos de AVCs em jovens tenha aumentado durante a pandemia.

Outro efeito temido da infecção por corona vírus é o declínio cognitivo, encontrado no envelhecimento ou como manifestação precoce de casos de demência. Dra. Flávia Pinheiro Machado, neuropsicóloga, em texto ainda não publicado, informou que tem recebido em seu consultório “muitos pacientes curados da Covid com queixas amnésicas e atentivas, além de lentificação motora e do pensamento”.

As queixas são confirmadas com testagem objetiva, comparando o desempenho neuropsicológico com o esperado para a mesma faixa etária, escolaridade e cultura.

Recentemente, um estudo britânico confirmou a impressão da Dra. Flávia. O médico do Imperial College of London, Dr. Adam Hampshire, liderou um estudo com mais de 84000 pessoas, avaliando o desempenho cognitivo. Ele também encontrou comprometimento, notadamente nos casos de infecção mais grave. Segundo ele, é como se o cérebro envelhecesse 10 anos. 

Tanto a Dra. Flávia quanto os pesquisadores londrinos reconhecem que ainda é cedo para saber se serão perdas permanentes. Há a possibilidade de recuperação total ou parcial ao longo do tempo.    

Como otimista, penso que a maioria dos pacientes terá boa recuperação cognitiva. Afinal, como afirma o dito popular, “o tempo é o melhor remédio”. A exceção talvez fique com aqueles que já apresentavam algum grau de comprometimento prévio à infecção.

Nesse caso, a ciência, com certeza, trará a resposta definitiva. É questão de tempo. 



revisão:
Rachel Kopit 
Ophicina de Arte & Prosa

 

[ Leia mais ]

Posted by Jair Raso 0 comentários »

O Dilema da Cloroquina

 

Voltaire (1694-1778), filósofo iluminista francês, escreveu sobre os médicos de seu tempo:

Médicos colocam remédios sobre os quais pouco sabem,

em nossos corpos sobre os quais sabem menos ainda,

para curar doenças sobre as quais nada sabem.

 

O debate em torno da cloroquina e outros medicamentos para combate à infecção pelo coronavírus parece tornar essa frase cáustica de Voltaire bem atual.

Por um lado, gestores da saúde, movidos por razões políticas, tentaram substituir a caneta do médico por um decreto, recomendando formalmente a prescrição da cloroquina para pacientes com suspeita de Covid. Por outro, as sociedades médicas demonstraram tibieza ao enfrentar interferência de terceiros, ainda que seja o governo, na relação médico- paciente. Some-se a isso o fato de que muitos médicos, por ignorância ou temor, engrossaram a fila daqueles que perderam a confiança na capacidade da ciência de nos tirar desse imbróglio.

Para além da politização do assunto, se nos atermos aos fatos comprovados, o dilema da cloroquina desaparece.

Na medicina contemporânea, a frase de Voltaire tem de ser atualizada. Afinal, sabe-se muito sobre medicamentos, sobre nosso corpo e sobre a história natural da maioria das doenças. E sobre a doença chamada Covid-19, nunca na história da medicina foram produzidos tantos conhecimentos em tão pouco espaço de tempo.

Em menos de seis meses de aparecimento dessa infecção, sabemos que   80% dos pacientes vão evoluir para a cura, com, sem ou apesar dos médicos. De cada 100 pacientes, 20 deles vão precisar de tratamento hospitalar. Cinco devem necessitar de tempo prolongado de tratamento intensivo. Sabemos também que a mortalidade da Covid-19 gira ao redor de 1%. Essa é a história natural dessa doença pandêmica.

A cloroquina entrou nesta história pois, em estudos de bancada, chamados in vitro, foi eficaz para deter a replicação do vírus. Entretanto, diversos estudos clínicos não foram capazes de mostrar qualquer benefício da medicação, mesmo quando associada a outros medicamentos. Em outras palavras, a cloroquina não alterou em nada a história natural da Covid-19. 

Entre os estudos bem desenhados para avaliar a eficácia da cloroquina, destaco um trabalho brasileiro publicado no prestigiado periódico americano New England Jorunal of Medicine. Assinado pelo médico Alexandre Cavalcanti e outros 34 pesquisadores, o trabalho analisa os dados de um consórcio de 55 hospitais brasileiros dentre eles o Albert Einstein, Sírio Libanês e Beneficência Portuguesa de São Paulo e o Hospital Moinhos de Ventos de Porto Alegre. Não houve benefício para os pacientes que usaram hidroxicloroquina ou hidroxicloroquina associada à azitromicina, se comparados com o grupo que recebeu apenas tratamento de suporte.

A discussão em torno da prescrição de cloroquina ganhou proporções desnecessárias. Mas nada se iguala à pletora de postagens, sugerindo os mais diversos tratamentos para a doença, todos inócuos: óleo de gergelim, chá quente, vitamina C, vitamina D, água quente com limão, água morna com sal e vinagre, chá de erva-doce, alho cru, alvejante à base de cloro, chá de boldo, gengibre (natural ou cozido), chá de jambu, poli vitamínicos e até álcool puro. Este último matou 44 pessoas no Irã.

Em março, durante o carnaval no Brasil, quando os primeiros casos começaram a aparecer, sugeriu-se, para a prevenção contra o coronavírus, o famoso cheirinho da Loló, mistura de éter com clorofórmio. Na mesma linha, tentaram fantasiar a cocaína como remédio de combate ao corona. 

Bizarrices também fizeram parte do arsenal contra o vírus:  no Vietnã, gatos pretos eram sacrificados para fazer um suco com o sangue; na Índia, urina de vaca e no Brasil, o pastor Valdemiro Santiago vendia sementes de feijão branco por até mil Reais, para semear a cura do coronavírus. Agora, a proposta é injeção de ozônio por via retal durante dez dias.

Tanta parafernália inútil reflete o desespero em busca de soluções milagrosas e o desapreço pela medicina. Afinal, convenhamos, ninguém chega a um hospital com um problema de saúde para dizer aos médicos qual o tratamento que deve ser instituído.

Nesses tempos bicudos, o discurso recorrente de descaso e desrespeito às Instituições, acaba por incluir a ciência médica.

A despeito de tudo isso, médicos e demais profissionais de saúde continuam arriscando suas vidas para salvar a dos outros.



revisão:
Rachel Kopit 
Ophicina de Arte & Prosa
[ Leia mais ]

Posted by Jair Raso 0 comentários »

A medicina adverte: o desgoverno faz mal à saúde

Medicina não é uma ciência exata.E pesquisas médicas não dão respostas para tudo. 
O exercício da medicina hoje se faz baseado em evidências. O saber médico é medido em graus. Grau A, nível 1 de evidência, o topo da pirâmide, é conhecimento que passou pelo crivo de ensaios bem desenhados, sem muitos vieses. Na falta de evidência inequívoca, clinicamos baseados na melhor evidência disponível.  
Para todo medicamento prescrito ou procedimento proposto, seguimos a mesma linha de raciocínio: há evidências que justifiquem o risco do ato médico?
Sim, porque também é verdade inconteste que cada ato médico envolve risco para o paciente.
Quando o capitão que hoje ocupa a Presidência insiste em querer prescrever cloroquina por decreto, certamente não o faz baseado em evidência médica. Defende a ideia de que tanto quanto salvar vidas é imperativo salvar a combalida economia.
Há uma crença generalizada que a medicina conhece pouco sobre o corona vírus.  Não é verdade. Sabem-se muitas coisas. Dentre elas, que não há tratamento universalmente eficaz e isento de riscos. E não temos vacina, por enquanto.
Sabe-se também que o isolamento social, remédio amargo e pouco natural, é comprovadamente eficaz para reduzir a mortalidade e preservar os sistemas de saúde. Apesar de provocar danos enormes à economia, a pandemia, sem essa medida, é ainda mais danosa. 
E não precisamos ir longe para aprender essa lição. Basta comparar os efeitos da pandemia em estados brasileiros que seguiram as recomendações de isolamento social, sem interferir em protocolos de tratamento da infecção por corona vírus, àqueles que foram em outra direção. Minas Gerais e Rio Grande do Sul são dois bons exemplos.
Talvez o capitão/presidente pense que o uso da cloroquina torna desnecessário o isolamento social.   Em seu agito no intuito de salvar vidas e a economia, corre o risco de não salvar nem umas, nem outra. Assim, inaugura uma alternativa à medicina baseada em evidência: a medicina baseada na inconsequência.
Há muitos médicos que endossam o ato do presidente. Estão convictos de que, diante da pandemia, a falta de evidência não deve ser entrave para o uso da cloroquina. Guimarães Rosa já nos lembrava que “querer o bem, de incerto jeito, com demais força, pode já estar sendo se querendo o mal por principiar”.
Dada em larga escala, a cloroquina pode provocar o efeito contrário ao esperado. Ao somarem-se os conhecidos possíveis efeitos colaterais da droga à   infecção por corona vírus, que na maioria dos casos é branda, pode-se aumentar a mortalidade.  
Todo esse agito em torno da cloroquina já derrubou dois ministros, que optaram por praticar a melhor evidência médica no assunto.
Agindo assim, o governo não foca no combate à pandemia e desorganiza reiteradamente o ministério da saúde, que deveria ser o protagonista deste drama.  O desgoverno quer roubar a cena.
Ao colocar-se fora do comando da situação, cria espaço político para outros governadores e prefeitos, que preferem seguir as recomendações da ciência médica, representada pela Organização Mundial de Saúde.
As crises políticas, quase diárias, somadas aos efeitos da pandemia, de nada servem aos brasileiros.
Ao tentar interferir por decreto no exercício da medicina, o capitão presidente talvez queira dar a impressão de estar fazendo alguma coisa contra a doença. Em seu agito, pode estar fazendo contra o doente.



revisão:
Rachel Kopit 
Ophicina de Arte & Prosa


[ Leia mais ]

Posted by Jair Raso 0 comentários »

Tempo da Fé





Um dos efeitos da pandemia é o de mobilizar nas pessoas a necessidade de convocar, renovar e confirmar suas crenças.
A fé é o grande pilar da esperança, que facilita o enfrentamento de momentos difíceis como esse.
As diversas religiões oferecem o caminho para o exercício da fé. O isolamento social convida para uma conversa íntima de cada um consigo mesmo. E para os que creem, essa conversa pode ser compartilhada por meio de orações.
Eu tenho fé na ciência e mais ainda nesta jovem ciência que se chama Medicina. É nela que deposito a esperança de que, em breve, tratamentos comprovadamente eficazes e vacinas serão somados ao arsenal de combate às doenças, incluindo a Covid-19.
E da mesma forma que oram aqueles que creem, dirijo à ciência médica minha oração, o meu Credo:
            Creio nos ensaios clínicos randomizados
            E na medicina baseada em evidência
            Que foi concebida pelo poder das grandes amostras
            Nasceu da arte de cuidar, padeceu sob crenças e superstições.
            Desceu à mansão da ignorância e ressuscitou como ciência.
            Subiu ao saber, onde está sentada à direita da tecnologia todo-poderosa,
            Donde há de vir para prevenir doenças e tratar os enfermos.
            Creio no espírito científico,
            No poder das metanálises,
            Na comunhão do saber,
            Na remissão dos sintomas,
            Na prevenção dos males,
            Na qualidade de vida.
            Amém.




revisão:
Rachel Kopit 
Ophicina de Arte & Prosa

[ Leia mais ]

Posted by Jair Raso 0 comentários »

Caminhos da Pandemia


Tenho procurado informar meus familiares, amigos e seguidores nas mídias sociais sobre a pandemia do vírus Corona. Sou otimista incorrigível e, acompanhando os números de casos confirmados e óbitos no Brasil, comparando-os com o restante do mundo, creio que as medidas drásticas de prevenção estão dando resultado. É o que manifestei em dois vídeos postados no meu Instagram (@jairraso).
Essas informações precisam ser corrigidas diariamente, modificando-se atitudes e ações de combate à pandemia, de acordo com o que os números mostram.
Hoje, vivemos um conflito a mais, que requer nosso posicionamento.
Assim como os políticos devem descer dos palanques, nós eleitores temos de abandonar as convicções manifestas nas cabines de votação. Estamos vivendo no país e no mundo uma grave crise de saúde pública. Temos o privilégio de estarmos atrasados em relação ao restante do mundo e com oportunidade única de tomarmos medidas consideradas eficazes no combate à pandemia. Infelizmente, não temos meios de diagnosticar por testes todos os suspeitos. Nossas armas são a prevenção para a escalada rápida de casos. E ela se dá em duas frentes de batalha: cuidados de higiene pessoal básicos e isolamento social. Todo o restante depende dos governos: aporte de recursos para infraestrutura hospitalar, para socorro financeiro de pessoas e empresas e, sobretudo para transparência, uma vez que os recursos já foram legalmente liberados. Basta lembrar que já estamos em regime de calamidade pública o que dá aos governos liberdade para gastar todos os recursos disponíveis para sairmos da pandemia. Infelizmente para nós, há um conflito provocado pelo Governo Federal que pensa e divulga que devemos abrir mão do isolamento social em nome da economia. Certamente tem lá suas razões e esse seria o desejo de todos. Seria, por exemplo, o meu desejo, que dependo da atividade liberal para viver. Por outro lado, está a OMS, a maior parte dos governos do mundo e de muitos de nossos governadores que defendem a medida de isolamento social como a mais eficaz para achatar a curva de crescimento exponencial de casos de infecção pelo vírus corona. Com essa medida, acredita-se que nossa infraestrutura hospitalar dará conta de tratar dos casos que requerem cuidados intensivos e intermediários. Isto evitaria de termos que viver o drama dos profissionais de saúde da Itália, que diariamente têm que decidir quem deve viver e quem deve ser abandonado à própria sorte, ou seja, à morte.

Precisamos tomar um lado. De minha parte, defendo as medidas preconizadas pela OMS. Sugiro que nossas entidades médicas tomem o mesmo caminho.



revisão:
Rachel Kopit 
Ophicina de Arte & Prosa


[ Leia mais ]

Posted by Jair Raso 0 comentários »

Quebra-crânio




Quebra-crânio

A recente brincadeira “quebra- crânio ” que viralizou nas redes é tudo, menos brincadeira.
Dois jovens, lado a lado com um terceiro, pulam juntos. Na sequência, é a vez do jovem do meio, que ignora a brincadeira, pular. Ao sair do chão, seus companheiros lhe dão uma rasteira e o resultado é invariável: ele cai de costas no chão, batendo a cabeça.
Todos riem daquilo que não tem graça. Vendo os registros nas redes sociais não é difícil perceber que não se trata de brincadeira, mas de ensaio de tragédia. De fato, foi preciso que um jovem morresse por traumatismo craniano, devido à brincadeira, para que o alerta se propagasse: o quebra cabeça é uma agressão física que pode ter consequências gravíssimas.
Ao cair e bater a região occipital, o cérebro pode sofrer contusão direta no local do impacto, ou a distância, por um mecanismo de contragolpe. Dependendo da energia cinética e de vetores na queda, pode haver ruptura das conexões entre os neurônios, que chamamos de lesão axonal, que pode causar déficits transitórios ou definitivos. 
A maneira como ocorre a queda coloca em risco não somente o cérebro, mas também a medula espinhal. Na queda, pode haver hiperextensão da coluna cervical, com ruptura de ligamentos ou fraturas de vértebras, que podem comprimir a medula, causando tetraplegia.
Se a lesão for na transição entre o crânio e a coluna cervical, a queda pode provocar morte imediata, por atingir áreas vitais de controle da respiração e dos batimentos cardíacos.
Outros segmentos da coluna, como a dorsal e lombar podem ser fraturadas na queda, bem como ossos do quadril.
Na tentativa de se proteger da queda, a vítima pode usar as mãos e sofrer fraturas no punho.
A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia emitiu comunicado de utilidade pública, alertando a população para os riscos da pretensa brincadeira que, na verdade, é uma agressão física.
Ainda que não tenha essa intenção, os jovens implicados na agressão podem responder legalmente por lesão corporal grave ou mesmo por  homicídio.

O “Quebra-crânio” não é uma brincadeira estúpida e de mau gosto. É ato de violência gratuita e covarde.






revisão:
Rachel Kopit 
Ophicina de Arte & Prosa

[ Leia mais ]

Posted by Jair Raso 0 comentários »

Demência e hipertensão arterial




O tratamento da hipertensão arterial, com objetivo de evitar declínio cognitivo e demência, é considerado um dos mais promissores fatores para prevenção.
O assunto ganhou mais evidência ainda com a publicação de estudo recente abordando o tema na revista Circulation, da American Heart Association, .
O estudo, intitulado INFINITY, comparou o rebaixamento intensivo dos níveis de pressão arterial com o tratamento padrão, tendo como objetivo prevenir o declínio cognitivo no idoso.
Tratamento intensivo significa manter níveis de pressão arterial sistólica abaixo de 130mmHg; já no tratamento padrão o objetivo é manter a pressão abaixo de 145 mmHg.
Para participar neste estudo, 199 adultos tinham de ter alterações na substância branca do cérebro detectada por ressonância magnética, que é comumente associada à hipertensão arterial e à cognição.
Como resultado do estudo, o grupo que teve o tratamento intensivo apresentou menor progressão das alterações na substância branca do cérebro ao longo de três anos.
Este achado foi importante, pois, teoricamente, pacientes com hipertensão arterial crônica poderiam ter problemas com manutenção de níveis pressóricos mais baixos. O que o INFINITY demonstrou é que esses pacientes toleraram bem o controle agressivo da pressão arterial e, mais do que isso, não apresentaram piora dos achados relacionados à hipertensão arterial na ressonância magnética.
Embora esse estudo não tenha respondido a todas as questões entre a associação de hipertensão arterial e demência, é plausível supor que um melhor controle da pressão em pacientes mais jovens, ao longo de décadas, pode ser um importante fator de prevenção da demência.
Como a demência é cada vez mais prevalente e ainda carecemos de tratamento eficaz, todo estudo que comprove eficácia na sua prevenção é sempre bem-vindo. 




Revisão e formatação:
Ophicina de Arte & Prosa


[ Leia mais ]

Posted by Jair Raso 0 comentários »