Atuação

• Coordenador do Serviço de Neurocirurgia e Neurologia do Hospital Unimed BH • Neurocirurgião do Biocor Instituto, Belo Horizonte, MG Membro Titular da Academia Mineira de Medicina • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia • Membro do Congresso of Neurological Surgeons • Mestrado e Doutorado em Cirurgia pela UFMG

Especialidades

• Malformação • Artério Venosa • Aneurisma Cerebral • Cirurgia de Bypass • Revascularização Cerebral • Cirurgia de Carótida • Tumores Cerebrais • Descompressão Neurovascular • Doença de Moya-Moya Tumores da Base do Crânio Doppler Transcraniano

Contato

Alameda da Serra 400 / 404 - Nova Lima - MG (31)3264-9590 • (31) 3264-9387 jrasomd@yahoo.com.br

A Lama Invisível




As imagens de Brumadinho mancham de lama  a alma de qualquer pessoa.  
Já em Barão de Cocais e Macacos, não. A lama é invisível.
Aquele jovem empresário  fechou o restaurante que administrava com sucesso há anos. Era uma das principais atrações turísticas de Macacos. Mas agora, com ameaça de estouro de mais uma barragem, seu negócio foi fechado.
Os empregados que ali trabalhavam já acrescentam números ao já  estratosférico desemprego no Brasil.
Aquele senhor idoso que mora ali na esquina, na casa que herdou de seu pai, que, por sua vez, herdou de seu avô, foi parar no hospital. Também pudera: uma sirene tocou alto numa noite chuvosa de um sábado até então tranquilo. Um carro de som convocava: “abandonem suas casas. Essa é uma situação real de rompimento de barragem”.
O coração do velho passou a bater descompassado. Sair de casa e ir para onde? Em sua memória, as imagens de Brumadinho o empurravam para ir para qualquer lugar.
No dia seguinte, passado o susto, ficou sabendo que aquele alarde todo era apenas protocolo de segurança, que jamais havia sido utilizado e para o qual não houve nenhum preparo da comunidade.
Mesmo assim, centenas de pessoas não podem mais voltar para seus lares condenados pela ameaça de lama.
A criança, que já não dorme à noite, tem terror a qualquer barulho. Seu medo é ficar sem o pai ou a mãe, como aconteceu com muita outras em Brumadinho.
Mas aqui, nessa cidade, não houve rompimento de nenhuma barragem. Foi só um susto. Um baita susto provocado por um  protocolo. Para que a empresa Vale ficasse de acordo com as exigências das autoridades públicas.
Da noite para o dia, toda a atividade que ali se faz há vários anos, mostrou-se irresponsavelmente arriscada para a comunidade.
A desinformação é tamanha, que pode ser justamente o contrário: não há risco, mas também não há ninguém que assuma a responsabilidade de assinar pela segurança.
Macacos, antes uma cidade turística, perdeu seus visitantes.  
Apesar de limpa, sem uma gota de barro ou lama, vai perdendo seu valor, sua confiança, seus encantos.
E por todo o lado, o que a gente vê são pessoas comuns, que não estão sujas da lama das barragens, pois essa  lama, que aos poucos tenta destruir a cidade, é invisível.






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Vale Tudo




Nós, mineiros, já não somos mineradores. Deixamos de cavoucar a terra em busca de fortuna,  pois aprendemos que é o mesmo que abrir o ventre da galinha de ovos de ouro.
As montanhas  perdemos todos, enquanto poucos, muito poucos se empanturram de moeda.
Macacos, Mariana, Brumadinho. Cinco vidas, dezenove vidas, quatrocentas vidas. As primeiras cinco já foram esquecidas. Com o tempo todas serão.
O espetáculo macabro da destruição se mistura à dor de quem perdeu um parente, um amigo, um pedaço de sua vida, de sua história.
Enquanto isso, busca-se um ou dois nomes para assumir a culpa que é de muitos. Haja grade para tantos responsáveis.
A natureza, expulsa pela mão irresponsável de quem a maltrata, se adapta. Regurgita aqui e ali, desmorona, sopra tufões e embala tsunamis. Depois se acalma. Indiferente, torna-se um pouco mais inóspita a cada giro em torno do sol.
Nós, mineiros, já não somos mineradores, aprendemos que o diamante virou ouro, que virou aço, que virou ferro e hoje é lama.
Agora, não bastassem as tragédias consumadas, em nome de falso   comprometimento com  segurança, soam sirenes, esvaziam comunidades, bloqueiam rodovias.
Qual é o real risco? A desinformação é tanta que o recado é claro: nunca se priorizou a segurança das comunidades no entorno do cavouco.  Vidas em risco e  impactos ambientais não constam nos balancetes que registraram lucro recorde.
As vidas que valem tão pouco não ficarão caladas. Nós, mineiros que já não somos mineradores,  dizemos não ao vale tudo deste capital.
E para aqueles que não vivem o luto, viva o carnaval no país do futebol!





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BANG-BANG BRASIL




Com o decreto pró-armas assinado pelo novo Presidente, está garantida a continuação do filme de bang-bang que estamos assistindo há muitos anos.
Com a desculpa de que o xerife não está dando conta dos bandidos, agora os mocinhos e moçoilas poderão ter sua arma.
Como ocorre nos roteiros dos filmes de Hollywood, o efeito não será diferente no Brasil: mais tiros, mais vítimas. O problema é que, pelo menos em Hollywood, o final do filme costuma ser feliz, com o bem vencendo o mal. Por aqui, a temporada de violência parece estar ainda nos primeiros capítulos.
A facilitação de posse de arma pode até dar uma sensação de falsa segurança. Mas, com o perdão do trocadilho, na vida real, com o porte de arma, o tiro pode sair pela culatra.
Especialistas em segurança sempre ensinaram que, diante de um assalto à mão armada, o melhor a fazer é não reagir. Na gíria dos bandidos, é aceitar o “perdeu, playboy”.
Nunca é demais lembrar que, nessas situações, você está em desvantagem. Mesmo que possua uma arma, ela não está em sua mão, no momento do assalto. E mesmo que esteja, convenhamos que se o bandido for bom, ele deve ter a mira muito melhor do que a sua. Afinal, essa é a ferramenta de trabalho dele, não a sua.
Por outro lado, sabendo que a população agora pode estar com mais munição, os bandidos também decidirão pelo menos duas coisas em seu próximo congresso: 1. oba, temos mais fontes de armas; 2. Se houver reação, atire primeiro.
Voltando aos filmes de bang-bang, fico imaginando as cenas de duelo com uma diferença: o bandido já estará com a arma apontada para o coração do mocinho, que terá a difícil tarefa de sacar seu trabuco, mirar e atirar.
Vejo com preocupação os acidentes com arma de fogo que fazem vítimas todos os anos. Sem contar os índices já alarmantes de suicídios.
Os defensores dirão que as armas estarão trancadas em cofres. Desejo boa sorte na tarefa de lembrar o segredo no stress de um assalto. Mais sorte ainda, se for abrir o cofre com a arma apontada para sua cabeça. O bandido já deve saber que lá dentro você não guarda só dinheiro.
Armar nossa população, que já se mostrou intolerante até em situações banais, é colocar mais lenha numa fogueira que vem queimando vidas de maneira tão estúpida quanto nas guerras.
Nossas ruas estarão ainda mais tingidas de sangue. Se a promessa do presidente era de retirar a cor vermelha do Brasil, com esse decreto ele deu um tiro no pé.



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AVC: perder tempo é perder neurônio


O Acidente vascular cerebral (AVC) é a segunda causa de morte e a principal causa de debilidade em todo o mundo.
Como a expectativa de vida da população está aumentando, os casos de AVC também tendem a aumentar. Além disso, cada vez mais, jovens estão sendo acometidos de AVC em nosso meio.
A boa notícia é que há tratamentos novos e eficazes, desde que não se perca tempo entre o diagnóstico e a chegada a um centro especializado na abordagem de pacientes com AVC.
Há dois tipos principais de AVC: isquêmico, quando um vaso cerebral é ocluído ou hemorrágico, quando há extravasamento de sangue. Para os dois, o diagnóstico precoce e o atendimento de emergência fazem toda a diferença.
A simples suspeita de AVC deve motivar a procura por assistência médica imediata. Se em sua cidade há serviço de remoção de urgência (SAMU), disque 192. Alguns planos de saúde têm serviços de remoção de urgência que devem ser acionados.
Há um método simples para se suspeitar da ocorrência de AVC. Eu o chamo de 4 “F” *
            Face: se a boca ficou torta para um lado
            Fala: se a fala está enrolada ou ausente
            Fraqueza: se há fraqueza no braço ou na perna
            Fone: Disque 192 ou o número do serviço de remoção de seu convênio
Por que o tempo é importante? Se um grande vaso do cérebro está ocluído, você pode perder 2 milhões de neurônios por minuto.
Além disso, os tratamentos disponíveis em centros de referência só podem ser realizados se o paciente chega ao hospital com até 4 horas e meia do início dos sintomas. Em alguns casos selecionados, alguns tratamentos podem ser feitos até 6 horas ou mais do início dos sintomas do AVC.
Quanto antes se chegar ao hospital para avaliação, melhor.
Portanto, em caso de suspeita de AVC, lembre-se dos 4 “F”, pois perder tempo é perder neurônio.

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Iguais até na Cola




Nesses tempos de clamor pela igualdade de gênero, surge um estudo interessante publicado em maio deste ano na revista American Journal of Pharmaceutical Education, comparando a cola e outros comportamentos correlatos entre estudantes de ambos os sexos.
O objetivo dos autores (Eric J. IP; Jai Pal; Shadi Doroudgar; Monica K. Bidwal, e Bijal Shah-Manek) era determinar se havia diferença no comportamento desonesto de estudantes de Farmácia no nordeste da Califórnia, nos Estados Unidos.
Foram enviados questionários para 560 alunos, 192 homens e 369 mulheres, com 45 itens. Sessenta por cento dos alunos responderam adequadamente, sendo 115 homens e 215 mulheres.
Os autores pretendiam observar o comportamento de alunos que talvez explicasse a realidade da prática da profissão de farmacêutico nos Estados Unidos. O Conselho Regional de Farmácia da Califórnia, nos anos de 2015 e 2016, reportaram que, mais do que as mulheres, os farmacêuticos homens tinham maior probabilidade de ter suas licenças profissionais cassadas ou ser punidos por comportamento profissional antiético. Isso incluía roubo de medicamentos, negligência e falsificações de prescrições médicas. Além disso, também os homens se envolviam mais em consumo de drogas ou álcool, desvio de conduta sexual, fraudes financeiras e sonegação.
Deve-se notar que a maioria dos profissionais de farmácia na Califórnia são do sexo feminino, o que reforçaria ainda mais a diferença.
Após análise estatística dos resultados entre os alunos, os autores concluíram que não houve diferença significativa entre homens e mulheres que admitiam ter colado ou se envolvido em comportamento escolar desonesto.
Entretanto, quando perguntados se haviam visto alguém colando, as mulheres, mais do que os homens afirmaram que sim.
Apesar das limitações desse estudo, essas informações mostram que, no período da faculdade, não há diferença de gênero no comportamento desonesto.
Resta saber o que faz os homens se desviarem tanto quando no exercício da profissão.







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O supremo descaso com a saúde... dos outros


No último dia 30 de novembro, o Supremo Tribunal Federal validou o programa  Mais Médicos, criado no governo Dilma, com o intuito  de melhorar a saúde pública brasileira.
A Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina questionavam principalmente dois pontos do programa que são escandalosos: primeiro, para o médico estrangeiro participante do programa não há necessidade de validação do diploma. A revalidação é uma prova aplicada pelos conselhos regionais de medicina para avaliar os conhecimentos médicos de estrangeiros; segundo,  os médicos cubanos participantes do programa ganham bem menos do que seus pares.
Em seu voto, o relator do processo, o decano Marco Aurélio de Mello, interpretou que a dispensa da necessidade de revalidação coloca em risco a saúde da população. Quanto ao pagamento menor aos médicos cubanos, o ministro também foi contra, afirmando que isso violaria a dignidade desses profissionais.
Infelizmente, apenas a ministra Rosa Weber acompanhou o voto de Marco Aurélio. Seis outros ministros votaram contra o relator, ou seja, a favor do Mais Médicos, sem modificações. Foram eles:  Alexandre Moraes, Édson Fachin, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Carmem Lúcia. O placar foi folgado, 6 a 2.
Essa votação encerra os questionamentos das entidades médicas cuja preocupação maior não repousa apenas na ineficácia do programa para a solução de problemas da saúde pública, mas também pelo risco potencial para aquela parcela da população menos favorecida.
O governo atual herdou a nefasta política pública dos governos anteriores. A solução proposta é arriscada: importar médicos, sem se importar com a qualidade. Ao lado dessa medida, a abertura indiscriminada de faculdades de medicina, cuja intenção é  facilitar o acesso da população aos médicos. Não se pensou em nenhum momento que a formação de um profissional da saúde é longa, sacrificada e exige não apenas infraestrutura das escolas, mas um corpo docente de qualidade.
Mais médicos não significa mais medicina. A carência de enfermeiras e técnicos de enfermagem é muito mais crítica do que a de médicos. O programa também não resolve a grave lista de espera por cirurgias eletivas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) . Tampouco se preocupou com o fechamento de leitos para o SUS, nem com a falta de vagas em CTI e outros pontos importantes que precisam de urgência ainda maior do que o aumento do número de médicos.
Na contramão do governo, a medicina privada hoje tem, como seu principal desafio, a busca pela qualidade da assistência. As melhores instituições do país pagam para ser auditadas em busca de selos de qualidade que a diferenciam pela segurança oferecida aos pacientes. O gerenciamento de um corpo clínico e dos profissionais da sáude, devidamente qualificados, é condição primeira para essa busca.
Nesse aspecto, os ministros que votaram a favor do Mais Médicos não precisam se preocupar. Afinal, eles não precisam do SUS. Se necessitarem de uma consulta, de um exame ou de uma internação, sabem a quem recorrer. Serão atendidos por médicos com títulos de especialistas,  devidamente registrados nos conselhos regionais de medicina e  que trabalham em instituições com selos de qualidade.
Já para os demais brasileiros que não têm a mesma sorte, uma consultinha com um médico cubano, que saiba ou não medicina, está de bom tamanho.







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Sete passos simples para a saúde do cérebro


A American Heart Association e a American Stroke Association, entidades dedicadas ao estudo das doenças cardíacas e cerebrovasculares, publicaram, na conceituada revista Stroke, um aconselhamento sobre a saúde do cérebro.
O aconselhamento, chamado de “os sete simples da vida”, em tradução literal (Life´s simple 7), elenca sete passos já recomendados para a saúde cardiovascular e que também podem prevenir a demência relacionada ao AVC, demências vasculares e Alzheimer.
Estas entidades se basearam em pesquisas médicas que, de modo convincente, demonstraram que os mesmos fatores que causam a aterosclerose contribuem para o desenvolvimento de demências relacionadas a doenças cerebrovasculares e mesmo o Alzheimer.
Seguindo os sete passos propostos, as pessoas podem não só prevenir ataques cardíacos e o AVC, como também proporcionar melhor funcionamento do cérebro.
A maior parte dos sete passos incluem mudanças de hábito, ou seja, dependem da própria pessoa. São eles:
1.    Não fumar
2.    Fazer atividade física
3.    Perder peso e/ou manter o índice de massa corporal abaixo de 25kg/m2
4.    Ter uma dieta saudável
5.    Controle da pressão arterial (120/80 mmhg)
6.    Controle do colesterol (<200 mg/dL)
7.    Controle da Glicose no sangue (<100 mg/dL)
O índice de massa corporal (IMC) pode ser calculado a partir do peso e altura. A recomendação da OMS é que o IMC fique entre 18,5 e 25 Kg/m2. Esse indicador isolado não determina se você está acima ou abaixo do peso ideal. Outros fatores como idade, gênero e condicionamento físico devem ser levados em consideração.
Em crônicas anteriores, falamos sobre a Mind diet, um tipo de dieta que pode prevenir doenças degenerativas do cérebro. Ela inclui o uso regular de grãos integrais, vegetais de folhas verdes, nozes, feijão, aves, frutos silvestres (mirtilo, groselha) e peixe. Na composição da dieta ideal para o cérebro, deve-se também levar em consideração os alimentos que devem ser evitados como a carne vermelha, manteiga e margarina, queijos gordurosos, doces, frituras e fast food.
Para saber sobre sua pressão arterial e os níveis de colesterol e glicose, vale a pena consultar um médico clínico. Felizmente, há tratamento eficaz caso haja alterações nesses exames.

Até lá, você pode e deve trilhar o caminho que leva à boa saúde do seu cérebro, começando pelos quatro primeiros passos.






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