Atuação

• Coordenador do Serviço de Neurocirurgia e Neurologia do Hospital Unimed BH • Neurocirurgião do Biocor Instituto, Belo Horizonte, MG Membro Titular da Academia Mineira de Medicina • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia • Membro do Congresso of Neurological Surgeons • Mestrado e Doutorado em Cirurgia pela UFMG

Especialidades

• Malformação • Artério Venosa • Aneurisma Cerebral • Cirurgia de Bypass • Revascularização Cerebral • Cirurgia de Carótida • Tumores Cerebrais • Descompressão Neurovascular • Doença de Moya-Moya Tumores da Base do Crânio Doppler Transcraniano

Contato

Alameda da Serra 400 / 404 - Nova Lima - MG (31)3264-9590 • (31) 3264-9387 jrasomd@yahoo.com.br

Saúde, direito de todos ou do governo?


Em uma de minhas peças de teatro (A divina decepção) faço troça com nosso sistema único de saúde, o SUS, e a  Constituição quando meu personagem diz que a “saúde é um dever de todos e um direito do reino”.

À luz de nosso sistema de saúde, a troça faz sentido. Se, por um lado, nossa Lei maior diz que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, na prática, nosso Sistema Único de Saúde simplesmente não cumpre seu dever.

Os planos de saúde, por seu turno, são verdadeiros planos de saúde mesmo. Quando o sujeito adoece, não raro tem de brigar com seus planos para a cobertura integral do tratamento.  Afinal, eles são planos de saúde. Quem mandou adoecer?

No reino fictício de minha peça, o governo simplesmente obriga as pessoas a ter saúde e ponto final. Problema resolvido.

Sei que a arte é imitação da vida. Mas, sinceramente, nunca pensei que essa troça fosse ser confirmada. Pois aconteceu.

A crise do sistema de saúde americano levou o presidente Barach Obama a propor uma reforma drástica com um plano que obriga cada americano a ter um plano de saúde. Democratas e Republicanos fizeram acaloradas discussões pró e contra a reforma.

Obviamente, na capital da democracia moderna, o governo foi questionado judicialmente, e a Suprema Corte teve de responder ao seguinte argumento: Pode um governo exigir que um cidadão compre um plano de saúde?

A resposta da Suprema Corte foi a esperada: não. Entretanto, o plano do governo não foi considerado inconstitucional por um simples e irônico detalhe: a punição para quem não adquirir um plano. Se um americano se recusar a adquirir um plano de saúde, o governo irá cobrar, no Imposto de renda dele, uma taxa de 2,5%.

A Suprema Corte diz que o governo tem o poder de criar taxas, portanto, o plano de Obama continua valendo.

Com a aprovação, acredita-se que 32 milhões de americanos deverão adquirir um plano de saúde, e cerca de 4 milhões não terão esse benefício oferecido por seus patrões. No corpo do plano, só empresas com mais de 50 empregados é que são obrigadas a oferecer planos de saúde a seus funcionários.

O ObamaCare, como é conhecido o plano de reforma na saúde do atual presidente americano, tem fortes aliados e opositores. Todos sabem que a Saúde precisa de reforma, pois o modelo atual é insustentável. O preço da medicina americana é estratosférico, e grande número de americanos simplesmente estão sem nenhuma cobertura.

Hospitais e seguradoras comemoram a decisão da Suprema Corte. Os médicos estão divididos. Mas e o povo, o que pensa?

Essa resposta virá em Novembro, quando haverá eleição para presidente nos Estados Unidos. Afinal, o plano de Obama venceu apenas o primeiro ato, o judicial. Deverá vencer nas urnas também, pois só entrará em vigor em 2014.

Barach Obama e seu plano são candidatos à reeleição. Seu opositor, Mitt Rommey, já prometeu que, se vencer as eleições, enterra de vez o ObamaCare.

A decisão da Suprema Corte deixa claro para todos que a reforma vai doer no bolso do cidadão americano, seja diretamente, ao adquirir um plano de saúde, ou indiretamente, por meio da taxa no imposto de renda. 

Em novembro, o cidadão americano terá a oportunidade de aprovar ou não a reforma na saúde e, de maneira bem clara e objetiva: votando em um ou outro candidato.





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IDH e a Saúde




Se você passar hoje pela região hospitalar da capital vai ver que dois dos mais importantes hospitais de Belo Horizonte estão em greve: O João XXIII, maior hospital de trauma e emergências do Estado, e o Hospital das Clínicas, único Hospital Federal de Belo Horizonte, referência para os pacientes do Sistema Único de Saúde, o SUS.

O que é que isso tem a ver com IDH, título desta crônica?

O IDH, índice de desenvolvimento humano, é uma espécie de termômetro. É uma medida comparativa entre os países, levando em conta a riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade e outros fatores. Em outras palavras, mede o bem-estar da população, com ênfase no bem-estar infantil. É com este índice que podemos distinguir um país desenvolvido de outro em desenvolvimento ou subdesenvolvido. Além disso, é possível, por meio deste índice, avaliar o impacto das políticas públicas na qualidade de vida.

O Brasil ocupa hoje a 84ª. posição no ranking da IDH. Em relação a 2009, subiu um ponto. Está bem atrás da Grécia, por exemplo. Ou do Uruguai, Peru, da Venezuela e do Equador e, é claro, da Argentina. Se, no Futebol, às vezes ganhamos dos hermanos, no IDH a Argentina dá de balaiada no Brasil.

Entre o grupo de países emergentes, conhecidos com Brics, o Brasil é o segundo colocado, atrás da Rússia.

O Brasil melhorou um ponto no ranking devido à melhor distribuição de renda. O poder de compra é um dos índices importantes do IDH, e nisso houve uma importante melhora. Entretanto, os dados da educação e saúde utilizados para o cálculo do IDH não mudaram em nada.

Se, por um lado houve aumento da renda, por outro, os serviços à população na área da Saúde em nada melhoraram. A greve nos serviços públicos é apenas mais um sintoma deste quadro.

O IDH é apenas um termômetro, que auxilia no diagnóstico. Porém, o mais preocupante não é saber que vamos mal de saúde, e sim o tratamento proposto pelo Governo.

A despeito da orientação contrária, baseada em estudos das entidades médicas, o Governo decidiu abrir mais escolas de Medicina pelo país afora.  Acredita que, com mais médicos no mercado, o problema da Saúde será resolvido.

Nenhum dos países à frente do Brasil no IDH tem a quantidade de Escolas Médicas que nós temos hoje, ainda que muitos deles tenham população muito maior. 

Tratar o problema da saúde colocando mais médicos neste cenário pode nos levar para um cenário ainda mais preocupante. Se hoje o grande problema é o acesso aos serviços de saúde pública, amanhã o grande problema será a qualidade desses serviços.

Quem tem dinheiro ou ocupa altos cargos no executivo, pode se dar ao luxo de escolher as melhores instituições e os melhores médicos para se tratar. Quanto ao brasileiro pobre, que depende exclusivamente do SUS, é melhor não ficar doente.

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Crack




O crack é produzido a partir da cocaína e seus efeitos no sistema nervoso provocam oscilação de humor e dificuldade de raciocínio e concentração além de distúrbios da memória. A droga pode ainda provocar doenças pulmonares, doenças cardíacas e doenças psiquiátricas, como paranoia, alucinações e psicose.

O ministério da saúde estima que cerca de dois milhões de brasileiros são usuários de crack. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o número seja bem maior, em torno de seis milhões.

Apesar da divergência dos números, todos concordam que estamos diante de uma epidemia grave, uma vez que um terço destes usuários irá morrer em decorrência do uso do crack.

O Ministério da Saúde e as entidades médicas (Conselho Federal de Medicina, Federação Nacional dos Médicos e Associação Médica Brasileira) iniciam agora força-tarefa para combater esta epidemia. As ações destas entidades estão sendo apresentadas em formas de cartilhas que orientam quanto ao problema e apontam para as soluções que serão coordenadas pelo Governo Federal.

As entidades médicas entendem que o problema deva ser combatido em três eixos : policial, da saúde e social.  

No eixo policial sugerem ações de inteligência para reprimir a entrada da droga no país e mapear os principais pontos de venda. Sugerem também ações para controle fiscal de movimentação financeira do tráfico e dos insumos próprios ao fabrico do crack.

No eixo da saúde, pretende-se estruturar e capacitar as portas de entrada para o usuário e divulgar diretrizes para o tratamento do uso, abuso e dependência da droga.

O eixo social, a sugestão é criar alternativas como centros de convivência nas periferias das grandes cidades com espaços de lazer, cultura e inclusão digital. Em longo prazo a melhora da qualidade das escolas com implantação do horário integral e formação profissionalizante permitirá inclusão social e diminuição do risco de consumo de drogas.

A mobilização do governo e das entidades médicas é passo decisivo para o enfrentamento do problema e pode ser bem sucedida se for feita de forma articulada e contínua. Mas o sucesso deste esforço só será conseguido por meio da participação de toda sociedade.

Já existem locais para atendimento ao usuário em todo país. Para mais informações acesse www.enfrenteocrack.org.br ou ligue para o 0800 5100015, central de atendimento gratuito.



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A loucura de Newton


O livro Principia de Isaac Newton é considerado um dos mais importantes da história da ciência. Nele estão devidamente explicadas as famosas três leis de Newton, utlizadas até hoje por cientistas espaciais e físicos.

Newton foi também o inventor do Cálculo e seus conhecimentos profundos de matemática estão em outro livro, Optika, o mesmo em que expõe sua teoria da decomposição da luz branca.

Newton nasceu em 25/12/1642, no mesmo ano em que morreu Galileu, numa cidadezinha próxima a Cambridge. Estudou no Trinity College de Cambridge, onde foi professor da cátedra lucasiana, a mesma ocupada por Stephen Hawking até 2009 e pelo físico Michael Green, atualmente. Foi presidente da Royal Society e Diretor da casa da moeda em Londres. Recebeu o título de cavaleiro (Sir) dado pela Rainha Anne. Morreu em 1727 e tem um imponente mausoléu na Abadia de Westminster.

Seus trabalhos em ciência e teologia são amplamente conhecidos. Entretanto, Newton escreveu mais sobre alquimia do que sobre ciência.

Seus escritos sobre este tema foram mantidos em segredo até 1936, quando o economista John Maynard Keynes os arrematou em leilão.  Keynes estudou estes trabalhos e iria proferir uma palestra sobre eles em 1942, intitulada Newton, o homem. Seria uma homenagem promovida pela Universidade de Cambridge ao tricentenário de nascimento do cientista. Entretanto, devido à Guerra, a homenagem foi adiada. Ela ocorreu em 1946. Infelizmente, meses antes, Keynes havia morrido e sua palestra foi lida por seu irmão.

O conhecimento destes escritos de Newton sobre alquimia permitiram esclarecer um fato meio nebuloso em sua história. Ele apresentou um episódio de “loucura”, com alteração do comportamento e comprometimento transitório de sua mente brilhante. Diversas causas foram atribuídas ao “ataque de nervos” de Newton, desde a exaustão passando por desilusões amorosas.

Dois pesquisadores sul-africanos, Spargo e Pounds, ao tomarem conhecimento desse lado oculto de Newton, investigaram, com técnicas modernas, quatro amostras de cabelo de Newton, na busca de sinais de exposição a metais pesados. Este estudo revelou níveis altos de chumbo e mercúrio. Os sinais e sintomas apresentados por Newton em sua “loucura” são os mesmos da intoxicação por mercúrio.  

Assim, concluíram os autores que os distúrbios mentais de Newton foram causados por intoxicação devido à inalação e mesmo ingestão de mercúrio utilizado em seus trabalhos com alquimia.

Newton era também profundo estudioso da bíblia e fez previsões apocalípticas. Para o cientista, o mundo irá acabar no ano de 2060.

Apesar de ter sido o inventor do cálculo, torcemos para que tenha se enganado neste.






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Alzheimer: o que há no horizonte?


Alzheimer: o que há no horizonte?



O hospital da Unimed-BH organizou, na última sexta-feira, dia 16, a palestra "Alzheimer: o que há no horizonte?", proferida pelo neurologista Igor Levy, médico mineiro que se especializou nos Estados unidos e hoje trabalha em Naples, na Flórida.

Com o envelhecimento da população e a prevalência do mal de Alzheimer, não é exagero considerá-lo um problema de saúde pública.

A doença se manifesta inicialmente com a perda da memória recente ou da memória para episódios. Progride com o comprometimento de toda a memória e capacidade de aprendizado, terminando por destruir áreas do cérebro responsáveis por tarefas simples, como o cuidado com o próprio corpo e o reconhecimento do ambiente e de pessoas da família. A doença é progressiva e ainda não há cura.

Segundo Igor Levy, o Presidente americano Barack Obama convocou os cientistas americanos dando a eles a difícil tarefa de, em 10 anos, encontrar a cura para a Doença de Alzheimer. Esse é o ponto de partida para a obtenção de mais financiamentos para pesquisas sobre a doença.

Na palestra, o neurologista traçou um cenário completamente diferente do atual no diagnóstico e na prevenção da Doença de Alzheimer.

A pouca eficácia dos tratamentos hoje disponíveis se deve, em grande parte, ao que ele considera diagnóstico tardio. Acredita-se hoje, que à semelhança da doença coronariana, as pesquisas permitirão o diagnóstico precoce da doença, tornando os tratamentos mais eficazes, num futuro que não parece tão distante.

Nos Estados Unidos já estão disponíveis as dosagens de substâncias como a proteína B amiloide e a proteína Tau, ambas envolvidas na destruição progressiva dos neurônios, característica da doença de Alzheimer. Exames de imagem como o PET scan, com marcadores específicos, também têm sido utilizados no diagnóstico precoce.

Há medicações com potencial para neutralizar ou mesmo limpar o organismo destas substâncias, sendo esta a melhor perspectiva de prevenção e até mesmo de cura.

Igor Levy também falou sobre a correlação de hábitos alimentares e o desenvolvimento da doença. Sabe-se, à partir de estudos populacionais, que a dieta do mediterrâneo, rica em ômega 3 presente em peixes de água salgada, é sabidamente  benéfica na prevenção não só da doença coronariana, mas  também é eficaz na prevenção da doença de Alzheimer.

Na Índia, a prevalência da doença é baixa, se comparada a outros países. O uso rotineiro na alimentação de especiarias como o curry (curcuma) é apontado como um dos fatores responsáveis.

Da mesma forma, a atividade física aeróbica  e o uso moderado de álcool em geral (até dois drinks diários), especialmente o vinho tinto são fatores protetores.

Um dos pontos mais interessantes da palestra foi a confirmação de que a atividade intelectual cria uma reserva cerebral que, se não evita os sintomas da doença, certamente retarda seu aparecimento.

Portanto, antes que a medicina seja capaz de nos oferecer a cura, alguns hábitos estão ao alcance de todos para a prevenção da doença de Alzheimer: dieta saudável, atividade física aeróbica e a construção de uma reserva intelectual são bons exemplos.





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Neuralgia do Trigêmeo e Espasmo facial

Micro descompressão neurovascular (Neuralgia do Trigêmeo e Espasmo Facial)


A causa mais comum de Neuralgia do trigêmeo é a compressão de uma alça arterial, geralmente a artéria cerebelar superior, no ponto de entrada do nervo trigêmeo no tronco encefálico.

O tratamento com medicação geralmente é eficaz. Para os casos refratários, há três procedimentos cirúrgicos: Coagulação do nervo trigêmeo por radiofreqüência, Compressão do nervo trigêmeo por balão e micro descompressão neurovascular.

Neste último procedimento, com auxílio do microscópio cirúrgico, o ponto de entrada do nervo no tronco encefálico é exposto e a alça arterial responsável pela compressão é afastada do nervo. Utilizamos um material especial (PTFE) para manter o afastamento.

Da mesma forma, o espasmo facial é provocado pela compressão do nervo facial pela artéria vertebral ou a artéria cerebelar anterior inferior. Não há tratamento medicamentoso. Pode ser aplicada toxina botulínica nos músculos da face, que por algum tempo deixam de sofrer os espasmos involuntários. A micro descompressão neurovascular é o tratamento indicado para casos acentuados e é realizada da mesma foram que a descompressão do nervo trigêmeo. 


1-cirurgia de descompressao do facial- exposicao

2- arteria comprimindo nervo facial

3- Material (PTFE) separando a arteria do nervo

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Medicina: Evidência ou Indiferença?

Segundo Le Breton, “a palavra do especialista é evangelho para os leigos”. Daí a importância da opinião médica que faz diagnóstico, pede exames e prescreve tratamentos.
Em que se baseiam os médicos para realizar seu trabalho? Hoje, mais do que em qualquer outra época, a Medicina requer para si o status de ciência, e o estado atual desta arte científica chama-se Medicina baseada em evidência.
Desde sua proposição, em 1992 no prestigioso periódico Journal of American Medical Association (JAMA), a medicina baseada em evidência (MBE) tem se tornado verdadeiro mantra, falado e repetido a quatro cantos pelos profissionais de saúde.
A MBE procurar evitar a intuição e a experiência clínica sem sistematização e tem como pilar sólido as evidências das pesquisas clínicas. Os ensaios clínicos randomizados são a vedete da MBE.
A prática desta nova Medicina exige que o médico não apenas pesquise a literatura especializada, mas que tenha capacidade para analisar, de modo crítico, as publicações.
A simples opinião médica, antes evangelho para os leigos, é considerada pela MBE o grau mais rasteiro de evidência. No topo da pirâmide, está a análise sistemática dos ensaios randomizados.

Mas a MBE tem limitações. Para início de conversa, a maioria dos ensaios clínicos randomizados são realizados na América e na Europa ocidental. Seus achados e conclusões podem ser estendidos para o mundo em desenvolvimento?
Para responder a essa pergunta, basta citar algumas características da experiência clínica em países menos desenvolvidos: Geralmente as doenças têm apresentação tardia, pela dificuldade de acesso da população aos serviços de saúde, com consequente diagnóstico tardio; a prática da automedicação é avassaladora; o encaminhamento para serviços de referência é difícil; o controle de infecção é menor, se comparado aos centros desenvolvidos; o seguimento dos pacientes é precário; o paciente tem dificuldade de manter o tratamento proposto, muitas vezes, por limitações econômicas.
Nenhuma dessas características é levada em conta em nenhum dos ensaios clínicos randomizados. Assim, o mantra da MBE pode até ser falado e repetido pelos médicos de países em desenvolvimentos, mas sua aplicação prática é bem mais limitada.
Em nosso meio, os médicos, de um modo geral, gastam a maior parte de seu tempo em atividade, devido à baixa remuneração dos serviços prestados, o que exige elevada carga horária de trabalho.  Dedicam menos horas ao estudo e à atualização, que tem de caber dentro de seu orçamento.
Mais do que isso, a implementação da MBE na maioria das instituições em que trabalham assim como sua aceitação pelas operadoras de plano de saúde, são difíceis, e a incorporação de novas tecnologias é muito lenta ou simplesmente inviável.
Assim, mesmo que tenha conhecimentos suficientes para a prática da Medicina baseada em evidência, as condições de trabalho do médico em país em desenvolvimento o levam à prática da medicina baseada na indiferença.

Dr. Jair L. Raso

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