Atuação

• Coordenador do Serviço de Neurocirurgia e Neurologia do Hospital Unimed BH • Neurocirurgião do Biocor Instituto, Belo Horizonte, MG Membro Titular da Academia Mineira de Medicina • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia • Membro do Congresso of Neurological Surgeons • Mestrado e Doutorado em Cirurgia pela UFMG

Especialidades

• Malformação • Artério Venosa • Aneurisma Cerebral • Cirurgia de Bypass • Revascularização Cerebral • Cirurgia de Carótida • Tumores Cerebrais • Descompressão Neurovascular • Doença de Moya-Moya Tumores da Base do Crânio Doppler Transcraniano

Contato

Alameda da Serra 400 / 404 - Nova Lima - MG (31)3264-9590 • (31) 3264-9387 jrasomd@yahoo.com.br

Dieta para o Cérebro


Nos últimos anos, a Sociedade de Psiquiatria americana inclui, em seus congressos, uma sessão sobre dieta e o cérebro.

Há evidências crescentes de que a nutrição representa fator crucial na incidência de distúrbios mentais. Portanto, a dieta de seus pacientes passa a ter para os psiquiatras tanta importância como para os pacientes de cardiologistas e endocrinologistas.

Sabe-se, por exemplo, que animais com dieta rica em gorduras trans têm desempenho pior em testes de memória, quando comparados àqueles que não ingerem tais gorduras. 

A Dra. Beatrice A. Golomb, da Universidade da Califórnia fez pesquisa com 694 homens, correlacionando testes de evocação de palavras com dieta rica em gorduras trans. Os resultados comprovam os achados com testes em animais, mostrando que o grupo exposto a dieta rica nesse tipo de gordura têm desempenho pior.

Uma outra forma de abordar o efeito da nutrição sobre o cérebro é tentar associar qual alimento estaria associado a efeitos benéficos. Há estudos que mostram que adultos que adotam a dieta do mediterrâneo, rica em frutos do mar, nozes e grãos, têm risco significativamente menor de desenvolver depressão.

Se voltarmos na história, nossa sobrevivência está atrelada ao desenvolvimento do nosso cérebro, só possível com alimentação saudável.

Segundo a Dra. Emily Deans, psiquiatra da escola de medicina de Harvard, nós começamos a comer plantas, insetos e larvas. Há cerca de 2 milhões de anos incorporamos carne à nossa dieta, contribuindo para o desenvolvimento avançado de nosso cérebro. Por volta de 1 milhão de anos atrás, passamos a consumir raízes e tubérculos. Com o avançar da agricultura, foi possível adicionar grãos, laticínios e legumes.

No século passado nossa dieta mudou drasticamente. Passamos a consumir alimentos processados e mais carboidratos, incorporando mais gordura vegetal do que animal. A industrialização tornou necessários o uso de conservantes, emulsificadores e outros aditivos.

Qual seria hoje o alimento mais apropriado para nosso cérebro?

Drew Ramsey, psiquiatra professor da Universidade de Columbia e a Dra. Deans têm a resposta: frutos do mar.

Ostras, por exemplo, são ricas em nutrientes, incluindo vitamina B12, que é deficitária em pessoas adeptas de dietas vegetarianas. A vitamina B12 é necessária para a função de neurotransmissores. Ostras podem ser opção para as pessoas que não comem carne por razões morais, uma vez que não possuem um sistema nervoso desenvolvido. Portanto, para nos servir de alimento não passam por sofrimento.

A saúde cardiovascular é sabidamente atrelada à boa dieta. Agora também a psiquiatria estuda a fundo a nutrição, buscando compreender o papel da dieta saudável na saúde de nosso cérebro.


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Transplante de Cabeça

É possível retirar a cabeça de uma pessoa viva e transplantá-la num corpo diagnosticado com morte encefálica?
Não.
Entretanto, um médico italiano, Sergio Canavero, ganhou notoriedade em todo o mundo ao propor ser possível um transplante de cabeça nos próximos anos.
É lamentável ver representantes da ciência buscar holofotes para anunciar procedimentos sem respaldo científico e ético.
Esse charlatão italiano pelo menos admite que lhe falta um hospital, um grupo de outros médicos auxiliares e dinheiro para realizar tal façanha. Mas, na verdade, falta-lhe muito mais do que isso. Se encontrasse companheiros lunáticos que o ajudassem nessa empreitada e um hospital picareta, certamente lhe faltariam recursos técnicos para realizar tal transplante com sucesso. Mais ainda, falta a esse médico irresponsável postura ética mínima para lidar com o sofrimento das pessoas.
Se o Dr. Frankenstein italiano soubesse, por exemplo, como conectar a medula espinhal, que faz a principal comunicação do cérebro com o corpo, ele estaria sonegando esse conhecimento a milhares de doentes em todo mundo. Afinal, tetraplégicos vítimas de acidentes deveriam estar merecendo a atenção desse médico que promete cura para estas lesões, o que a ciência médica não tem ainda capacidade para realizar.  
Mas quando se pensa no transplante de cabeça não é só a medula espinhal a ser considerada. As artérias que irrigam o cérebro deveriam ser também emendadas. O problema é que a ligadura de apenas uma das artérias que irrigam o cérebro por poucos minutos pode provocar derrame ou mesmo a morte. No caso, ele deveria suturar quatro artérias, duas delas de calibre pequeno e dificílima exposição cirúrgica.
Faltariam ainda alguns nervos que fazem conexão diretamente com o cérebro, sem passar pela medula. Sem falar na sutura de músculos e na fixação da parte óssea.
Some-se a isso o fato de que os impulsos vindos do corpo de qualquer pessoa fazem parte indelével de sua maneira de pensar e agir. Fosse possível tal transplante, os novos impulsos inundariam o cérebro com informações do novo corpo, o que certamente geraria conflitos mentais insolúveis.
Mencionei dificuldades técnicas hoje intransponíveis. Sequer falei da possível rejeição. Mesmo com os avanços de transplantes de órgãos como rim, fígado e coração, a possibilidade de rejeição existe. Um organismo não reconhece como seu um órgão transplantado e aciona seus mecanismos de defesa para destruí-lo. A quantidade de medicamentos que deveriam ser utilizados para evitar rejeição desse magnífico transplante provocaria danos incompatíveis com a sobrevivência. 
Um procedimento cirúrgico dessa monta levaria horas, e o resultado é mais do que previsível. O cérebro transplantado no novo corpo teria mínimas chances de funcionar. E o corpo transplantado perderia um encéfalo morto para ganhar outro.
A ideia de se transplantarem cabeças pode até fascinar roteiristas de ficção, mas não passa de ficção mesmo.
Esse cirurgião italiano não representa o que há de avançado e moderno em medicina e ciência. Ele é legítimo representante de prática médica que procuramos superar: a medicina sem evidências e sem ética.
Antes de se arvorar sobre a cabeça de possíveis vítimas, o pirado médico italiano deveria buscar ajuda psiquiátrica para tratar da sua.






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A Caneta Que Mata


























Disponível no site
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Lançamento do livro A Caneta que Mata


Convido para o lançamento de meu livro A Caneta que Mata, dia 18 de março, das 19 às 22, na Biblioteca Pública.
Aguardo você.
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Posted by Clara Gontijo 0 comentários »

Medicina: passado e futuro


Final e início de ano é sempre tempo de balanço. Lendo as resenhas das principais publicações da minha área, divisei um passado recente onde esticar bem os lençóis era uma das principais recomendações no tratamento dos pacientes com acidente vascular encefálico (derrame). Lembrei-me também da alta mortalidade das cirurgias no sistema nervoso nos primórdios da especialidade, comparando-a com o alto índice de sucesso que temos hoje em cirurgias de tumores e aneurismas cerebrais.

A Medicina avança e os benefícios para a população se traduzem em maior tempo e qualidade de vida. A cada ano, a publicação de pesquisas nos faz vislumbrar um futuro promissor, quando saberemos mais sobre as causas, consequências, prevenção e tratamento das doenças mais prevalentes do presente. Mas o caminho é longo, diria mesmo infinito.

Com os estudos de 2013, já foram identificados 22 genes associados a tipos de enxaqueca, doença que afeta grande número de pessoas em todo o mundo. A descoberta desses genes é um extraordinário avanço, mas que representa apenas cerca de 15% da grande variedade desta doença tão comum.

A causa da enxaqueca ainda é desconhecida. Uma publicação de 2013 com estudo angiográfico por ressonância de alta resolução não mostrou nenhuma alteração no diâmetro das artérias ou do fluxo cerebral durante episódios de enxaqueca. Até então, pensava-se que a causa das enxaquecas estava na variação de diâmetro das artérias.  Os cientistas ainda terão muita dor de cabeça para resolver esse dilema.

Por outro lado, procedimentos neurocirúrgicos de alta tecnologia têm se mostrado como o melhor remédio para tratamento de alguns tipos de dores e doenças. A estimulação cerebral profunda tem se confirmado como método superior a medicamentos no tratamento da Doença de Parkinson. Um importante estudo publicado na prestigiosa revista New England Journal of Medicine demonstrou melhora na qualidade de vida dos pacientes com Doença de Parkinson tratados precocemente com o procedimento cirúrgico.

A estimulação de outra área no crânio, o gânglio esfeno-palatino, é outra promessa cirúrgica para tratar casos refratários de cefaleia em salvas.

Nem sempre os estudos publicados mostram sucesso. A retirada de trombos de artérias cerebrais por meio de cateteres ainda não se mostrou eficaz. O avanço tecnológico nesta área é estupendo, e novos estudos deverão ser realizados antes que essa novidade científica torne-se rotineira, desde que  comprovados os benefícios.

Para a doença de Alzheimer, 2013 não foi um ano de bons resultados. Estudos com aplicação de altas doses de imunoglobulinas, inibidores de enzimas e drogas como a memantina não se mostraram eficazes no tratamento das demências.

A cada ano, o corpo de conhecimentos nas neurociências interfere na maneira como tratamos nossos pacientes hoje. E nos dá a sensação de que o aprendizado no início de nossa formação parece coisa de um passado longínquo e que o futuro está bem ali na esquina.



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O médico e a política


Em torno do dia 18 de outubro, dia de São Lucas, do médico, gostaria de escrever algo que não fosse laudatório, atordoado que estou, como a maioria dos médicos sérios deste país, com a política em torno da Medicina, nossa profissão.

Alguns entendem que o programa “Mais Médicos” tem cunho ideológico e eleitoreiro e o atacam por isso. Penso que o problema maior deste programa “Mais Médicos” é que ele significa menos Medicina.

Medicina não é uma profissão como outra qualquer, que se aprende na escola, registra-se em diploma e pronto. Medicina é um compromisso com a vida.
A vida do outro passa a fazer parte da sua vida, em constante transformação e aprendizado.

E Medicina também não é apenas e tão somente o médico. Ouvir o paciente, suas queixas e sua história, examiná-lo, dar diagnósticos, pedir exames e prescrever são tarefas do médico. Mas Medicina mesmo é bem mais do que isso.

Não existe boa Medicina onde não há condições de saneamento básico. Não existe Medicina sem enfermeiras e técnicos de enfermagem. Não existe boa Medicina sem psicólogos, fisioterapeutas e tantas áreas afins ao ato médico. Não existe Medicina sem acesso a medicamentos. Não existe Medicina sem acesso a hospitais.  Não existe Medicina sem tecnologia de ponta aplicada à saúde.

O programa “Mais Médicos” é equivocado por isso. Para onde não existe Medicina, ele quer mandar médico. Deveria primeiro mandar um engenheiro sanitarista e uma boa escola. Sem este terreno básico e fértil não é possível florescer boa Medicina.  

E o programa ainda peca por querer mandar para onde não existe Medicina um médico estranho, de qualificação duvidosa e não comprovada.

O programa peca mais ainda quando faz tudo isto de maneira autoritária, por meio de decretos, passando por cima das instituições médicas e negociando apoio nas instituições políticas em troca de favores de fins eleitoreiros. Esta é, infelizmente, a forma lamentável de se fazer política no Brasil.  

Já se disse que política é algo tão sério que não deveria ficar a cargo de políticos.  

Neste  18 de Outubro, gostaria de escrever para meu colega médico que sua atuação é política, genuíno exercício de sua  cidadania, quando se debruça sobre o cidadão e sua fragilidade.

E que, apesar de toda a política equivocada de saúde deste governo despreparado, ainda é possível exercer com dignidade e respeito a Medicina que aprendemos, que continuaremos a aprender e a ensinar.

Afinal, somos mais que estranhos profissionais a serviço de causa e ideologias alheias à Medicina. Somos bem mais que isso. Somos médicos.




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SUS ou SMS? Samba do Brasil louco



A constituição de 1988 reza que a saúde é direito do cidadão e dever do Estado. Para tanto foi criado o Sistema Único de Saúde, SUS, que nada mais é que o velho INPS. Isso significava saúde pública e gratuita para todos. Acontece que o Estado logo percebeu que não teria recursos nem infraestrutura para cumprir a constituição. Assim, legalmente, foi instituída a Saúde Suplementar, que poderia ser comercializada pelas operadoras de planos de saúde e seguradoras.  Agora, diante da ineficiência deste sistema híbrido, o Estado decide, por medida provisória, importar médicos estrangeiros para oferecer um tipo de serviço de saúde que não está ainda muito claro.

Fica então definido que não temos um sistema único de saúde, o SUS. Nossa Medicina, por decreto, hoje consta de serviços públicos, serviços privados suplementares e agora sistemas internacionais de qualificação duvidosa. É um Sistema múltiplo de Saúde, o SMS.

A população, ciente da ineficácia do SUS e com dificuldade para pagar os planos de saúde, aprovou, segundo as pesquisas, o SMS. Aprovou sem saber a quem vai servir um sistema tão confuso quanto ineficaz.

Há 30 anos, quando me formei, o sistema já era misto. Um dos médicos com os quais trabalhei, logo no início de carreira, era funcionário federal, assalariado, e trabalhava em um posto de saúde. Lá, atendia de graça à população. Se um cidadão necessitasse de internação, ele emitia uma guia para o hospital privado no qual trabalhava. Tratava o paciente neste hospital privado, e o governo pagava a conta. Se o paciente optasse por ficar em acomodações exclusivas, o médico poderia cobrar seus honorários diretamente.

Este médico já se aposentou. Nestes trinta anos, não houve nenhum concurso público federal para substituí-lo.  Não é possível hoje emitir guias de internação dessa maneira. E grande parte dos hospitais privados foi descredenciada não podendo, portanto, tratar pacientes do SUS. E a maioria dos hospitais que dependiam exclusivamente do SUS tornaram-se insolventes.

Tampouco é possível ao paciente optar por fazer parte do tratamento pelo SUS e parte com seus próprios recursos. Também por decreto, ou o paciente é público ou privado.

Desde então, os planos de saúde proliferaram. A população com algum recurso procura por esses planos, pois têm a garantia de um atendimento melhor que aquele oferecido pelo SUS.

Hoje o sistema de saúde brasileiro é assim: quem não pode nada tem o SUS. Não paga nada pelo tratamento, mas dificilmente recebe algum. Quem pode alguma coisa, tem plano de saúde e paga por isso. E nós todos pagamos a estranha solução do médico estrangeiro.

Penso que neste confuso samba do Brasil louco o melhor remédio é não ficar doente. Do jeito que as coisas andam, não duvido que o Governo queira modificar, por decreto, nossa constituição: a saúde passaria a ser um dever do cidadão e um direito do Estado.

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