Atuação

• Coordenador do Serviço de Neurocirurgia e Neurologia do Hospital Unimed BH • Neurocirurgião do Biocor Instituto, Belo Horizonte, MG Membro Titular da Academia Mineira de Medicina • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia • Membro do Congresso of Neurological Surgeons • Mestrado e Doutorado em Cirurgia pela UFMG

Especialidades

• Malformação • Artério Venosa • Aneurisma Cerebral • Cirurgia de Bypass • Revascularização Cerebral • Cirurgia de Carótida • Tumores Cerebrais • Descompressão Neurovascular • Doença de Moya-Moya Tumores da Base do Crânio Doppler Transcraniano

Contato

Alameda da Serra 400 / 404 - Nova Lima - MG (31)3264-9590 • (31) 3264-9387 jrasomd@yahoo.com.br

Pajelança no STF


Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal por principiar.
                                               Guimarães Rosa


A judicialização da medicina é, sem dúvida, um dos fatores mais importantes para o encarecimento dos serviços de saúde no Brasil.
Nossa constituição reza que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Mas não impõe limites nem de gastos, nem de custos. Advogados e juízes, sem entender de medicina, podem decidir sobre tratamentos caros e, não raro, completamente ineficazes.
Assim, a caneta de um juiz pode exigir que o Estado ou planos de saúde paguem por tratamentos, mesmo se eles não forem comprovadamente eficazes. O problema é que se esta caneta não mata, ela também não salva. 
Não entender de medicina é compreensível. Mas não é difícil compreender o longo caminho que determinada medicação percorre para sair do ambiente de pesquisa, para tornar-se disponível para o receituário do médico.
Este caminho é uma pirâmide. Na base dessa pirâmide, estão os estudos em laboratório, que sugerem que determinado medicamento possa ter efeito terapêutico.  No degrau acima, essa droga é experimentada em animais. Quando parece ter algum efeito, ela passa a ser candidata a ensaios clínicos, envolvendo seres humanos.
Esses ensaios têm geralmente quatro fases. Na fase I, é estudada a segurança de uma droga que promete ser eficaz. Nessa fase, a eficácia não é estudada. O principal objetivo é determinar a dose adequada.  O que esse tipo de estudo quer responder é se é ou não seguro utilizar a medicação em humanos. Geralmente a pesquisa inclui entre 20 e 80 voluntários sadios.
Vencida essa primeira etapa, passa-se para a fase II. Nessa fase, a eficácia é testada. A medicação é utilizada em 100 ou 200 pacientes e confirma-se a segurança e efetividade para tratar alguma doença.
Vencida a etapa II, uma avalição em larga escala é planejada. São os ensaios clínicos que comparam a medicação nova com alguma já existente, ou placebo, uma composição que parece com a medicação, mas não tem nenhum efeito em nosso organismo. Para essa fase, chamada fase III, o número de pacientes é grande e esses estudos, muito caros, envolvem geralmente vários centros médicos de pesquisa.
Chegando ao topo da pirâmide de evidências, vários desses estudos, uma vez publicados, são avaliados quanto a possíveis falhas no método da pesquisa. Só assim, após esse longo percurso é que uma droga ou tratamento é largamente recomendado, ou seja, quando há evidências fortes de seu benefício para tratar doenças.
Um bioquímico da Universidade de São Carlos, Gilberto Orivaldo Chierice, no intuito de querer fazer o bem, está favorecendo o mal. Ignorando toda a pirâmide das evidências, ele resolveu prescrever para pacientes a fosfoetanolamina, um produto que ele testou em ratos de laboratório e que lhe pareceu eficaz no combate a um tipo de câncer. Se era bom para ratos com um tipo de câncer, pensou que pudesse ser útil para qualquer ser humano, com qualquer tipo de câncer.
Sem saber a dosagem correta, nem sequer se a droga era eficaz e para qual tipo de câncer, a medicação passou a ser distribuída por sua Universidade.
Por si só, isso já caracterizaria o exercício ilegal e irresponsável da medicina. Quando o erro foi percebido, a universidade cancelou o fornecimento da droga.
Pacientes passaram a utilizar a justiça para conseguir a nova panaceia.
O Tribunal de Justiça de São Paulo havia proibido o fornecimento da fosfoetanolamina, mas o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal e, para surpresa de toda comunidade científica, o ministro Edson Fachin, em liminar, liberou o fornecimento da droga.
É de doer: em pleno século XXI, quando a medicina reclama seu status de ciência por meio da prática baseada em evidências, um ministro do Supremo decreta a volta à pajelança.




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Dieta para o cérebro 2

A maioria de nós gostaria que a ciência simplesmente fosse capaz de fabricar uma pílula para prevenir o envelhecimento do cérebro. Melhor ainda se, em vez de pílulas diárias, o remédio fosse apenas três gotinhas a cada década, como já utilizado na prevenção da poliomielite. Entretanto, quando o assunto é demência, estamos longe disso.


Enquanto a tal pílula milagrosa não vem, vários estudos focam em hábitos de vida como possíveis fatores preventivos de demência. Um dos hábitos mais estudados é nossa alimentação. Afinal, atividade física muitos podem ou não fazer. O mesmo se aplica a fumar ou não. Mas quando o assunto é comida, todos formamos um único grupo, com variações apenas na qualidade nutricional dos alimentos mais comumente consumidos.

É cada vez maior a evidência de que a qualidade de nossa dieta pode influenciar no desenvolvimento de doenças do sistema nervoso, entre elas o mal de Alzheimer.

Um estudo recente, publicado no periódico Alzheimer and Dementia mostrou os resultados de um tipo de dieta, a MIND diet. A MIND é um híbrido da dieta do mediterrâneo e da dieta para prevenção da hipertensão arterial, conhecida como DASH. Tanto a dieta do mediterrâneo quanto a DASH se mostraram eficazes ao reduzir o risco de hipertensão arterial, infarto do miocárdio e derrame. De acordo com pesquisadores da universidade de Chicago, a dieta MIND pode desacelerar o declínio cognitivo dos idosos.

Este estudo observou a dieta de pessoas idosas por um longo período. O hábito alimentar daqueles que mais se aproximavam da dieta MIND correspondia a melhor desempenho em testes de memória e outras atividades do cérebro.

Em que consiste a dieta MIND? Basicamente são 15 componentes divididos em dois grupos: os saudáveis para o cérebro e os não saudáveis. No grupo de componentes a serem evitados estão incluídas a carne vermelha, manteiga e margarina, queijos gordurosos, doces, frituras e fast food. Do lado bom, estão grãos integrais, vegetais de folhas verdes, nozes, feijão, aves, frutos silvestres  (mirtilo, groselha) e peixe.

Foram observados pacientes acima de 80 anos por um período de cerca de 5 anos quanto à dieta. Os pacientes foram divididos em grupos, ajustando-se  valores importantes como idade, sexo, escolaridade e atividades cognitivas. Aqueles cuja dieta mais se aproximava da dieta MIND apresentaram menos declínio cognitivo, principalmente da memória para episódios recentes e memória semântica, aquela que nos permite evocar as palavras com facilidade. Em termos quantitativos, os pesquisadores notaram que os do grupo da dieta MIND tinham um desempenho que os equiparavam a pessoas 7,5 anos mais jovens.

Trata-se de um estudo observacional, portanto com limitações. Mas o recado é claro: uma dieta que seja boa para a prevenção de doenças como hipertensão arterial e infarto também é boa para o cérebro.

Estudos como esse apontam para um tipo de abordagem para prevenção da demência que inclui mudança de hábito.  

Mudar hábito é sempre difícil, mas quando essa mudança implica não só o aumento do tempo de vida, mas sobretudo a qualidade, vale a pena dar o primeiro passo.

Para comemorar, vale lembrar que a dieta do mediterrâneo inclui uma dose diária de vinho. Saúde!





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Dieta para o Cérebro


Nos últimos anos, a Sociedade de Psiquiatria americana inclui, em seus congressos, uma sessão sobre dieta e o cérebro.

Há evidências crescentes de que a nutrição representa fator crucial na incidência de distúrbios mentais. Portanto, a dieta de seus pacientes passa a ter para os psiquiatras tanta importância como para os pacientes de cardiologistas e endocrinologistas.

Sabe-se, por exemplo, que animais com dieta rica em gorduras trans têm desempenho pior em testes de memória, quando comparados àqueles que não ingerem tais gorduras. 

A Dra. Beatrice A. Golomb, da Universidade da Califórnia fez pesquisa com 694 homens, correlacionando testes de evocação de palavras com dieta rica em gorduras trans. Os resultados comprovam os achados com testes em animais, mostrando que o grupo exposto a dieta rica nesse tipo de gordura têm desempenho pior.

Uma outra forma de abordar o efeito da nutrição sobre o cérebro é tentar associar qual alimento estaria associado a efeitos benéficos. Há estudos que mostram que adultos que adotam a dieta do mediterrâneo, rica em frutos do mar, nozes e grãos, têm risco significativamente menor de desenvolver depressão.

Se voltarmos na história, nossa sobrevivência está atrelada ao desenvolvimento do nosso cérebro, só possível com alimentação saudável.

Segundo a Dra. Emily Deans, psiquiatra da escola de medicina de Harvard, nós começamos a comer plantas, insetos e larvas. Há cerca de 2 milhões de anos incorporamos carne à nossa dieta, contribuindo para o desenvolvimento avançado de nosso cérebro. Por volta de 1 milhão de anos atrás, passamos a consumir raízes e tubérculos. Com o avançar da agricultura, foi possível adicionar grãos, laticínios e legumes.

No século passado nossa dieta mudou drasticamente. Passamos a consumir alimentos processados e mais carboidratos, incorporando mais gordura vegetal do que animal. A industrialização tornou necessários o uso de conservantes, emulsificadores e outros aditivos.

Qual seria hoje o alimento mais apropriado para nosso cérebro?

Drew Ramsey, psiquiatra professor da Universidade de Columbia e a Dra. Deans têm a resposta: frutos do mar.

Ostras, por exemplo, são ricas em nutrientes, incluindo vitamina B12, que é deficitária em pessoas adeptas de dietas vegetarianas. A vitamina B12 é necessária para a função de neurotransmissores. Ostras podem ser opção para as pessoas que não comem carne por razões morais, uma vez que não possuem um sistema nervoso desenvolvido. Portanto, para nos servir de alimento não passam por sofrimento.

A saúde cardiovascular é sabidamente atrelada à boa dieta. Agora também a psiquiatria estuda a fundo a nutrição, buscando compreender o papel da dieta saudável na saúde de nosso cérebro.


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Transplante de Cabeça

É possível retirar a cabeça de uma pessoa viva e transplantá-la num corpo diagnosticado com morte encefálica?
Não.
Entretanto, um médico italiano, Sergio Canavero, ganhou notoriedade em todo o mundo ao propor ser possível um transplante de cabeça nos próximos anos.
É lamentável ver representantes da ciência buscar holofotes para anunciar procedimentos sem respaldo científico e ético.
Esse charlatão italiano pelo menos admite que lhe falta um hospital, um grupo de outros médicos auxiliares e dinheiro para realizar tal façanha. Mas, na verdade, falta-lhe muito mais do que isso. Se encontrasse companheiros lunáticos que o ajudassem nessa empreitada e um hospital picareta, certamente lhe faltariam recursos técnicos para realizar tal transplante com sucesso. Mais ainda, falta a esse médico irresponsável postura ética mínima para lidar com o sofrimento das pessoas.
Se o Dr. Frankenstein italiano soubesse, por exemplo, como conectar a medula espinhal, que faz a principal comunicação do cérebro com o corpo, ele estaria sonegando esse conhecimento a milhares de doentes em todo mundo. Afinal, tetraplégicos vítimas de acidentes deveriam estar merecendo a atenção desse médico que promete cura para estas lesões, o que a ciência médica não tem ainda capacidade para realizar.  
Mas quando se pensa no transplante de cabeça não é só a medula espinhal a ser considerada. As artérias que irrigam o cérebro deveriam ser também emendadas. O problema é que a ligadura de apenas uma das artérias que irrigam o cérebro por poucos minutos pode provocar derrame ou mesmo a morte. No caso, ele deveria suturar quatro artérias, duas delas de calibre pequeno e dificílima exposição cirúrgica.
Faltariam ainda alguns nervos que fazem conexão diretamente com o cérebro, sem passar pela medula. Sem falar na sutura de músculos e na fixação da parte óssea.
Some-se a isso o fato de que os impulsos vindos do corpo de qualquer pessoa fazem parte indelével de sua maneira de pensar e agir. Fosse possível tal transplante, os novos impulsos inundariam o cérebro com informações do novo corpo, o que certamente geraria conflitos mentais insolúveis.
Mencionei dificuldades técnicas hoje intransponíveis. Sequer falei da possível rejeição. Mesmo com os avanços de transplantes de órgãos como rim, fígado e coração, a possibilidade de rejeição existe. Um organismo não reconhece como seu um órgão transplantado e aciona seus mecanismos de defesa para destruí-lo. A quantidade de medicamentos que deveriam ser utilizados para evitar rejeição desse magnífico transplante provocaria danos incompatíveis com a sobrevivência. 
Um procedimento cirúrgico dessa monta levaria horas, e o resultado é mais do que previsível. O cérebro transplantado no novo corpo teria mínimas chances de funcionar. E o corpo transplantado perderia um encéfalo morto para ganhar outro.
A ideia de se transplantarem cabeças pode até fascinar roteiristas de ficção, mas não passa de ficção mesmo.
Esse cirurgião italiano não representa o que há de avançado e moderno em medicina e ciência. Ele é legítimo representante de prática médica que procuramos superar: a medicina sem evidências e sem ética.
Antes de se arvorar sobre a cabeça de possíveis vítimas, o pirado médico italiano deveria buscar ajuda psiquiátrica para tratar da sua.






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A Caneta Que Mata


























Disponível no site
www.coopmed.com.br









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Lançamento do livro A Caneta que Mata


Convido para o lançamento de meu livro A Caneta que Mata, dia 18 de março, das 19 às 22, na Biblioteca Pública.
Aguardo você.
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Posted by Clara Gontijo 0 comentários »

Medicina: passado e futuro


Final e início de ano é sempre tempo de balanço. Lendo as resenhas das principais publicações da minha área, divisei um passado recente onde esticar bem os lençóis era uma das principais recomendações no tratamento dos pacientes com acidente vascular encefálico (derrame). Lembrei-me também da alta mortalidade das cirurgias no sistema nervoso nos primórdios da especialidade, comparando-a com o alto índice de sucesso que temos hoje em cirurgias de tumores e aneurismas cerebrais.

A Medicina avança e os benefícios para a população se traduzem em maior tempo e qualidade de vida. A cada ano, a publicação de pesquisas nos faz vislumbrar um futuro promissor, quando saberemos mais sobre as causas, consequências, prevenção e tratamento das doenças mais prevalentes do presente. Mas o caminho é longo, diria mesmo infinito.

Com os estudos de 2013, já foram identificados 22 genes associados a tipos de enxaqueca, doença que afeta grande número de pessoas em todo o mundo. A descoberta desses genes é um extraordinário avanço, mas que representa apenas cerca de 15% da grande variedade desta doença tão comum.

A causa da enxaqueca ainda é desconhecida. Uma publicação de 2013 com estudo angiográfico por ressonância de alta resolução não mostrou nenhuma alteração no diâmetro das artérias ou do fluxo cerebral durante episódios de enxaqueca. Até então, pensava-se que a causa das enxaquecas estava na variação de diâmetro das artérias.  Os cientistas ainda terão muita dor de cabeça para resolver esse dilema.

Por outro lado, procedimentos neurocirúrgicos de alta tecnologia têm se mostrado como o melhor remédio para tratamento de alguns tipos de dores e doenças. A estimulação cerebral profunda tem se confirmado como método superior a medicamentos no tratamento da Doença de Parkinson. Um importante estudo publicado na prestigiosa revista New England Journal of Medicine demonstrou melhora na qualidade de vida dos pacientes com Doença de Parkinson tratados precocemente com o procedimento cirúrgico.

A estimulação de outra área no crânio, o gânglio esfeno-palatino, é outra promessa cirúrgica para tratar casos refratários de cefaleia em salvas.

Nem sempre os estudos publicados mostram sucesso. A retirada de trombos de artérias cerebrais por meio de cateteres ainda não se mostrou eficaz. O avanço tecnológico nesta área é estupendo, e novos estudos deverão ser realizados antes que essa novidade científica torne-se rotineira, desde que  comprovados os benefícios.

Para a doença de Alzheimer, 2013 não foi um ano de bons resultados. Estudos com aplicação de altas doses de imunoglobulinas, inibidores de enzimas e drogas como a memantina não se mostraram eficazes no tratamento das demências.

A cada ano, o corpo de conhecimentos nas neurociências interfere na maneira como tratamos nossos pacientes hoje. E nos dá a sensação de que o aprendizado no início de nossa formação parece coisa de um passado longínquo e que o futuro está bem ali na esquina.



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