Atuação

• Coordenador do Serviço de Neurocirurgia e Neurologia do Hospital Unimed BH • Neurocirurgião do Biocor Instituto, Belo Horizonte, MG Membro Titular da Academia Mineira de Medicina • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia • Membro do Congresso of Neurological Surgeons • Mestrado e Doutorado em Cirurgia pela UFMG

Especialidades

• Malformação • Artério Venosa • Aneurisma Cerebral • Cirurgia de Bypass • Revascularização Cerebral • Cirurgia de Carótida • Tumores Cerebrais • Descompressão Neurovascular • Doença de Moya-Moya Tumores da Base do Crânio Doppler Transcraniano

Contato

Alameda da Serra 400 / 404 - Nova Lima - MG (31)3264-9590 • (31) 3264-9387 jrasomd@yahoo.com.br

Velhice e Solidão



“Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece
No quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora”
Caetano Veloso, Desde que o samba é samba

Às vésperas da estreia de minha peça, “DDD: deleite, depois delete”, resolvi fazer uma pesquisa sobre a velhice com meus contatos no facebook . Afinal, essa comédia gira sobre três senhoras às voltas com a internet. Pensei ser mais do que adequado usar a internet para esse diálogo.
Lancei a seguinte pergunta: qual a doença mais grave da velhice?
Para minha surpresa, a resposta mais frequente não foi uma doença, foi a solidão. Vinte e dois por cento das respostas apontava a solidão como a “doença” mais grave da velhice. Se acrescentarmos abandono, invisibilidade e outras palavras que expressam o mesmo sentimento, o número de respostas é ainda maior. 
Confesso que esperava que as pessoas fossem se referir ao Alzheimer, ao derrame ou Parkinson, doenças comuns no envelhecimento. Foram poucas essas respostas.
Solidão não é uma doença. Segundo o Houaiss, solidão é um estado, uma sensação de quem se acha ou se sente desacompanhado, só, isolado do mundo.
O poeta Caetano, em sua canção “Desde que o samba é samba”, nos lembra que a solidão apavora, “tudo demorando em ser tão ruim”.
Talvez seja essa a razão dessa resposta prevalente. Não sei da idade da maioria das pessoas que respondeu à minha pesquisa. Certamente, não são todos idosos e falam da velhice como uma reflexão, baseados em suas experiências familiares ou em suas expectativas. Talvez seja este o recado. A velhice, tal como a solidão, apavora.
Montaigne (1533-1592), em seus Ensaios, trata a solidão como uma meta para a velhice. Nos diz: “É preciso ter como reserva um recanto pessoal, independente, em que sejamos livres em toda acepção da palavra, que seja nosso principal retiro e onde estejamos absolutamente sozinhos. Aí nos entreteremos de nós com nós mesmos, e a essa conversa, que não versará nenhum outro assunto, ninguém será admitido”.  
Ouvi num filme italiano que a doença mais grave da velhice é a aposentadoria.
Penso ser a inatividade, física ou mental.
Seja como for, a maioria de nós quer mesmo é seguir em frente, e a estação derradeira é justamente a velhice.

Talvez seja agora o tempo de nos prepararmos para chegarmos a essa estação. Sozinhos. 





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Tamanho não é documento



A campanha do governo para combate à epidemia de dengue, chikungunya e zika tem como alvo o mosquito transmissor da doença. Com estardalhaço, até o exército foi convocado porque o mosquito “não pode ser maior que o país”.
O problema é que, nesse caso, tamanho não é documento. Há mais de quinze anos, o Brasil vem combatendo o mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue. E continuamos a conviver com o fantasma da dengue nos rondando em todo  verão.
O mesmo mosquito transmite outros vírus, como o zika, associado a casos de microcefalia e à síndrome de Guillain-Barré.  A partir dessa descoberta inédita, criou-se comoção mundial, e a fúria contra o mosquito tornou-se exacerbada.
A própria presidente, literalmente, vestiu a camisa da campanha e saiu às ruas à caça do mosquito e de seus focos de criação.
Acontece que esse tipo de campanha pode até ser necessária, mas nunca será suficiente. Fosse assim, nestes mais de quinze anos teríamos tido avanços no controle dessa típica epidemia brasileira.
Se, por um lado, a quebra de braço contra o mosquito me parece luta perdida, por outro, medidas mais ousadas têm sido agora estimuladas: a busca por uma vacina, ou a interferência genética no próprio mosquito, restringindo sua reprodução. Pesquisas com esses objetios poderão ser capazes de vencer a guerra contra o mosquito, ou mesmo contra os vírus que ele carrega.
Esta epidemia de zika trouxe, como grande benefício, o investimento em pesquisas. Até então, estávamos condenados a campanhas publicitárias contra o mosquito da dengue, sem muito sucesso. Agora não — verbas são corretamente investidas em busca de soluções mais inteligentes e eficazes.
É verdade que ainda restam dúvidas quanto à associação do vírus zika com doenças neurológicas. Mas debruçar sobre a dúvida é a verdadeira vocação da ciência.
E não duvido que saia daqui do Brasil a melhor maneira de controlar essa epidemia. Isso porque o Brasil tem excelente time de cientistas e instituições dedicadas ao estudo de doenças tropicais. Mas só agora foram escalados os recursos necessários para o avanço nas pesquisas.


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2015: Novidades da pesquisa médica


Os editores de uma das mais prestigiosas revistas médicas, o New England Journal of Medicine, ao final de cada ano fazem um balanço das pesquisas publicadas que podem modificar a prática médica ou ter grande impacto para a saúde das pessoas.
Em 2015 eles escolheram 12 tópicos relevantes. Iremos comentar três deles.
Qual o valor adequado da Pressão Arterial?
Num grande estudo, chamado SPRINT, os pesquisadores compararam dois alvos para a pressão arterial em mais de 9000 pacientes hipertensos, não diabéticos, mas com alto risco para infarto ou AVC.
Pouco mais de três anos depois de iniciado, o estudo foi interrompido, pois foi detectado que o grupo com tratamento intensivo apresentava menos eventos do que o grupo padrão. A média da pressão arterial no grupo do tratamento intensivo foi de 121,5mmHG e, no grupo controle, 134,6mmHg.
A redução do risco foi de 1,6%. Parece pouco, mas não é. Na prática, para prevenir um evento cardio-vascular foi necessário tratar de modo intensivo 60 pacientes em três anos. A American Heart Association ainda não soltou nenhuma recomendação a respeito deste estudo. Entretanto,  vai ficando claro que o alvo ideal do tratamento da hipertensão arterial está mesmo próximo dos 120 mmHG.
Novo tratamento para o derrame
Cinco grandes estudos que  foram publicados em 2015 mostraram os benefícios de um novo tratamento para o acidente vascular cerebral (AVC, derrame). Trata-se da nova geração de “stents” que são introduzidos dentro das artérias cerebrais para retirar coágulos.
São vários os tipos de derrame. Os estudos mostraram benefícios marcantes para apenas alguns tipos , que representam cerca de 10%.
Estes novos tratamentos requerem centros especializados no tratamento do AVC e os pacientes devem ser tratados em até seis horas após o início dos sintomas.
Além de indicar o tratamento para os tipos de AVC com benefícios demonstrados na pesquisa, a  American Heart Association e a Associação americana de AVC consideram razoável este tratamento para outros subgrupos.
Testosterona para andropausa
À medida que o homem envelhece os níveis de testosterona no sangue diminui. Seguindo o mesmo raciocínio utilizado no tratamento da menopausa para as mulheres, tem sido comum a prática de se prescrever reposição de testosterona para homens, alguns deles com sintomas que são chamados de andropausa.
Um estudo publicado em 2015 estudou a reposição de testosterona em 308 homens com níveis no limiar inferior ou ligeiramente abaixo dos valores estabelecidos pelos laboratórios. Foram avaliadas a qualidade de vida e a função sexual, mas a reposição hormonal não mostrou nenhum benefício.
Este estudo é importante, pois sabe-se que a reposição de testosterona aumenta o risco de problemas cardiovasculares.
Desta forma, a reposição hormonal masculina não é indicada para homens assintomáticos, ou com poucos sintomas, quando os níveis de testosterona estão no limiar inferior.
Entretanto, mantem-se a indicação para repor a testosterona naqueles  pacientes com deficiência do hormônio. 



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Ziquizira



Carlos Chagas (1879-1934), médico sanitarista brasileiro, foi o primeiro e continua sendo o único cientista do mundo a descrever completamente uma doença infecciosa: o agente causador, o mosquito transmissor, os hospedeiros e o quadro clínico. A doença de Chagas, como é conhecida, é causada por um protozoário, o Trypanossoma cruzi. Por muito menos, vários cientistas do mundo já ganharam o prêmio Nobel de Medicina.
Lembro de Chagas, que elucidou para o mundo uma nova doença, quando vivemos a epidemia de microcefalia, que assola o norte e nordeste do país.
A microcefalia é doença congênita já conhecida. O cérebro não se desenvolve adequadamente. O diagnóstico é feito pela medida do perímetro cefálico do recém-nascido acometido, que mede 32 cm ou menos. O diagnóstico pode ser confirmado por imagens do cérebro. Não há tratamento específico, e as crianças acometidas evoluem, na maioria das vezes com retardo mental.
São diversas as causas de microcefalia, como malformações do sistema nervoso central, desnutrição ou exposição a substâncias tóxicas durante a gravidez e infecções como toxoplasmose, rubéola e outras doenças virais.
Foi identificado um aumento de casos (surto) de microcefalia no Brasil. Até agora, são mais de 1200 casos diagnosticados, metade deles no Estado de Pernambuco.
O que faz deste surto uma novidade científica é sua associação com o  vírus Zika, apontado como causa das microcefalias diagnosticadas. O mosquito transmissor desse vírus é o mesmo da dengue, o Aedes aegipty.
A associação da infecção pelo Zyka com os casos de microcefalia é feito brasileiro. As investigações continuam para esclarecer pormenores da transmissão da doença e o comportamento do vírus no organismo humano.
Sabe-se que o período de maior risco está nos primeiros três meses de gravidez. Recomenda-se às gestantes que, independente do destino, consultem seu médico antes de viajar. A doença ainda está restrita a algumas regiões, mas o mosquito Aedes aegipty, infelizmente, já é patrimônio nacional.
A prevenção da infecção exige os mesmos cuidados para a prevenção da dengue, transmitida pelo mesmo mosquito: uso de repelentes e roupas de manga comprida, além do combate ao mosquito com ênfase na eliminação de águas paradas em casa ou no trabalho.

Cientistas brasileiros e a organização mundial de saúde já estudam em conjunto essa nova ziquizira.
Que esse esforço conjunto mereça um prêmio. Não o Nobel, mas o da erradicação da microcefalia infecciosa e, como bônus, da dengue.

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Pajelança no STF


Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal por principiar.
                                               Guimarães Rosa


A judicialização da medicina é, sem dúvida, um dos fatores mais importantes para o encarecimento dos serviços de saúde no Brasil.
Nossa constituição reza que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Mas não impõe limites nem de gastos, nem de custos. Advogados e juízes, sem entender de medicina, podem decidir sobre tratamentos caros e, não raro, completamente ineficazes.
Assim, a caneta de um juiz pode exigir que o Estado ou planos de saúde paguem por tratamentos, mesmo se eles não forem comprovadamente eficazes. O problema é que se esta caneta não mata, ela também não salva. 
Não entender de medicina é compreensível. Mas não é difícil compreender o longo caminho que determinada medicação percorre para sair do ambiente de pesquisa, para tornar-se disponível para o receituário do médico.
Este caminho é uma pirâmide. Na base dessa pirâmide, estão os estudos em laboratório, que sugerem que determinado medicamento possa ter efeito terapêutico.  No degrau acima, essa droga é experimentada em animais. Quando parece ter algum efeito, ela passa a ser candidata a ensaios clínicos, envolvendo seres humanos.
Esses ensaios têm geralmente quatro fases. Na fase I, é estudada a segurança de uma droga que promete ser eficaz. Nessa fase, a eficácia não é estudada. O principal objetivo é determinar a dose adequada.  O que esse tipo de estudo quer responder é se é ou não seguro utilizar a medicação em humanos. Geralmente a pesquisa inclui entre 20 e 80 voluntários sadios.
Vencida essa primeira etapa, passa-se para a fase II. Nessa fase, a eficácia é testada. A medicação é utilizada em 100 ou 200 pacientes e confirma-se a segurança e efetividade para tratar alguma doença.
Vencida a etapa II, uma avalição em larga escala é planejada. São os ensaios clínicos que comparam a medicação nova com alguma já existente, ou placebo, uma composição que parece com a medicação, mas não tem nenhum efeito em nosso organismo. Para essa fase, chamada fase III, o número de pacientes é grande e esses estudos, muito caros, envolvem geralmente vários centros médicos de pesquisa.
Chegando ao topo da pirâmide de evidências, vários desses estudos, uma vez publicados, são avaliados quanto a possíveis falhas no método da pesquisa. Só assim, após esse longo percurso é que uma droga ou tratamento é largamente recomendado, ou seja, quando há evidências fortes de seu benefício para tratar doenças.
Um bioquímico da Universidade de São Carlos, Gilberto Orivaldo Chierice, no intuito de querer fazer o bem, está favorecendo o mal. Ignorando toda a pirâmide das evidências, ele resolveu prescrever para pacientes a fosfoetanolamina, um produto que ele testou em ratos de laboratório e que lhe pareceu eficaz no combate a um tipo de câncer. Se era bom para ratos com um tipo de câncer, pensou que pudesse ser útil para qualquer ser humano, com qualquer tipo de câncer.
Sem saber a dosagem correta, nem sequer se a droga era eficaz e para qual tipo de câncer, a medicação passou a ser distribuída por sua Universidade.
Por si só, isso já caracterizaria o exercício ilegal e irresponsável da medicina. Quando o erro foi percebido, a universidade cancelou o fornecimento da droga.
Pacientes passaram a utilizar a justiça para conseguir a nova panaceia.
O Tribunal de Justiça de São Paulo havia proibido o fornecimento da fosfoetanolamina, mas o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal e, para surpresa de toda comunidade científica, o ministro Edson Fachin, em liminar, liberou o fornecimento da droga.
É de doer: em pleno século XXI, quando a medicina reclama seu status de ciência por meio da prática baseada em evidências, um ministro do Supremo decreta a volta à pajelança.




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Rachel Kopit
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Dieta para o cérebro 2

A maioria de nós gostaria que a ciência simplesmente fosse capaz de fabricar uma pílula para prevenir o envelhecimento do cérebro. Melhor ainda se, em vez de pílulas diárias, o remédio fosse apenas três gotinhas a cada década, como já utilizado na prevenção da poliomielite. Entretanto, quando o assunto é demência, estamos longe disso.


Enquanto a tal pílula milagrosa não vem, vários estudos focam em hábitos de vida como possíveis fatores preventivos de demência. Um dos hábitos mais estudados é nossa alimentação. Afinal, atividade física muitos podem ou não fazer. O mesmo se aplica a fumar ou não. Mas quando o assunto é comida, todos formamos um único grupo, com variações apenas na qualidade nutricional dos alimentos mais comumente consumidos.

É cada vez maior a evidência de que a qualidade de nossa dieta pode influenciar no desenvolvimento de doenças do sistema nervoso, entre elas o mal de Alzheimer.

Um estudo recente, publicado no periódico Alzheimer and Dementia mostrou os resultados de um tipo de dieta, a MIND diet. A MIND é um híbrido da dieta do mediterrâneo e da dieta para prevenção da hipertensão arterial, conhecida como DASH. Tanto a dieta do mediterrâneo quanto a DASH se mostraram eficazes ao reduzir o risco de hipertensão arterial, infarto do miocárdio e derrame. De acordo com pesquisadores da universidade de Chicago, a dieta MIND pode desacelerar o declínio cognitivo dos idosos.

Este estudo observou a dieta de pessoas idosas por um longo período. O hábito alimentar daqueles que mais se aproximavam da dieta MIND correspondia a melhor desempenho em testes de memória e outras atividades do cérebro.

Em que consiste a dieta MIND? Basicamente são 15 componentes divididos em dois grupos: os saudáveis para o cérebro e os não saudáveis. No grupo de componentes a serem evitados estão incluídas a carne vermelha, manteiga e margarina, queijos gordurosos, doces, frituras e fast food. Do lado bom, estão grãos integrais, vegetais de folhas verdes, nozes, feijão, aves, frutos silvestres  (mirtilo, groselha) e peixe.

Foram observados pacientes acima de 80 anos por um período de cerca de 5 anos quanto à dieta. Os pacientes foram divididos em grupos, ajustando-se  valores importantes como idade, sexo, escolaridade e atividades cognitivas. Aqueles cuja dieta mais se aproximava da dieta MIND apresentaram menos declínio cognitivo, principalmente da memória para episódios recentes e memória semântica, aquela que nos permite evocar as palavras com facilidade. Em termos quantitativos, os pesquisadores notaram que os do grupo da dieta MIND tinham um desempenho que os equiparavam a pessoas 7,5 anos mais jovens.

Trata-se de um estudo observacional, portanto com limitações. Mas o recado é claro: uma dieta que seja boa para a prevenção de doenças como hipertensão arterial e infarto também é boa para o cérebro.

Estudos como esse apontam para um tipo de abordagem para prevenção da demência que inclui mudança de hábito.  

Mudar hábito é sempre difícil, mas quando essa mudança implica não só o aumento do tempo de vida, mas sobretudo a qualidade, vale a pena dar o primeiro passo.

Para comemorar, vale lembrar que a dieta do mediterrâneo inclui uma dose diária de vinho. Saúde!





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Dieta para o Cérebro


Nos últimos anos, a Sociedade de Psiquiatria americana inclui, em seus congressos, uma sessão sobre dieta e o cérebro.

Há evidências crescentes de que a nutrição representa fator crucial na incidência de distúrbios mentais. Portanto, a dieta de seus pacientes passa a ter para os psiquiatras tanta importância como para os pacientes de cardiologistas e endocrinologistas.

Sabe-se, por exemplo, que animais com dieta rica em gorduras trans têm desempenho pior em testes de memória, quando comparados àqueles que não ingerem tais gorduras. 

A Dra. Beatrice A. Golomb, da Universidade da Califórnia fez pesquisa com 694 homens, correlacionando testes de evocação de palavras com dieta rica em gorduras trans. Os resultados comprovam os achados com testes em animais, mostrando que o grupo exposto a dieta rica nesse tipo de gordura têm desempenho pior.

Uma outra forma de abordar o efeito da nutrição sobre o cérebro é tentar associar qual alimento estaria associado a efeitos benéficos. Há estudos que mostram que adultos que adotam a dieta do mediterrâneo, rica em frutos do mar, nozes e grãos, têm risco significativamente menor de desenvolver depressão.

Se voltarmos na história, nossa sobrevivência está atrelada ao desenvolvimento do nosso cérebro, só possível com alimentação saudável.

Segundo a Dra. Emily Deans, psiquiatra da escola de medicina de Harvard, nós começamos a comer plantas, insetos e larvas. Há cerca de 2 milhões de anos incorporamos carne à nossa dieta, contribuindo para o desenvolvimento avançado de nosso cérebro. Por volta de 1 milhão de anos atrás, passamos a consumir raízes e tubérculos. Com o avançar da agricultura, foi possível adicionar grãos, laticínios e legumes.

No século passado nossa dieta mudou drasticamente. Passamos a consumir alimentos processados e mais carboidratos, incorporando mais gordura vegetal do que animal. A industrialização tornou necessários o uso de conservantes, emulsificadores e outros aditivos.

Qual seria hoje o alimento mais apropriado para nosso cérebro?

Drew Ramsey, psiquiatra professor da Universidade de Columbia e a Dra. Deans têm a resposta: frutos do mar.

Ostras, por exemplo, são ricas em nutrientes, incluindo vitamina B12, que é deficitária em pessoas adeptas de dietas vegetarianas. A vitamina B12 é necessária para a função de neurotransmissores. Ostras podem ser opção para as pessoas que não comem carne por razões morais, uma vez que não possuem um sistema nervoso desenvolvido. Portanto, para nos servir de alimento não passam por sofrimento.

A saúde cardiovascular é sabidamente atrelada à boa dieta. Agora também a psiquiatria estuda a fundo a nutrição, buscando compreender o papel da dieta saudável na saúde de nosso cérebro.


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